O Córrego Gabiroba, localizado atrás da Universidade Estadual de Londrina (UEL), teve seu curso desviado ao longo de extensão estimada em aproximadamente 500 metros, afetando uma área de várzea. O crime ambiental foi cometido às margens do terreno destinado ao residencial Portal de Versalhes 3, na Zona Oeste. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) suspeita que o responsável seja o loteador da área.
O assessor de Recursos Hídricos da Sema, João Batista de Souza, afirmou que, antes da intervenção irregular, uma área de várzea medindo cerca de 30 metros de largura era alagada pelo córrego. O que se vê hoje é um riacho seco em vários pontos, cercado de terra e vegetação visivelmente mexidos, à semelhança de um canteiro de obras.
''Um canal principal e diversos drenos menores foram abertos para fazer o ressecamento de toda a área. O responsável 'jogou' o rio dentro de uma valeta'', traduziu Souza. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Gerson da Silva, o córrego foi deslocado para a lateral oposta à do loteamento, de modo que o proprietário ''ganhasse'' uma faixa de 30 metros de terra.
À margem do córrego desviado foram plantadas várias mudas de árvores, possivelmente para simular uma nova Área de Preservação Permanente (APP). O assessor da Sema calcula ter encontrado no mínimo 300 mudas, em grande parte espécies exóticas como o eucalipto - proibidas para as APPs.
''Foram pelo menos três irregularidades: a canalização do córrego, a supressão de vegetação original e a execução de obras sem licença ambiental'', ressaltou Souza, lembrando que a várzea abriga espécies animais e vegetais que só sobrevivem nesse tipo de área. O Gabiroba é afluente do Ribeirão Esperança, que por sua vez desemboca no Ribeirão Cafezal - manancial de abastecimento de Londrina.
O secretário disse que até ontem a identidade dos responsáveis não podia ser confirmada. Ele deve retornar à área hoje com a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, e um fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ''Foi um crime gravíssimo. Quem fez isso terá que recompor os danos'', avisou.
O chefe regional do IAP, Carlos Alberto Hirata, afirmou que ''há indícios de que (o responsável) tem constantemente feito esse tipo de prática'' e que já teria sido autuado em outras ocasiões. No site da prefeitura de Londrina, o loteamento do Portal de Versalhes 3 consta como ''em execução/irregular''. A FOLHA não conseguiu entrar em contato com o secretário de Obras, nem com o suposto loteador.

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