Los Angeles vence a batalha contra a poluição
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de novembro de 1999
Por PAULO SOTERO, Correspondente 
Washingon, 20 (AE) Los Angeles já não é a metrópole mais poluída dos Estados Unidos. Perdeu a liderança para Houston
no ano passado. O "smog", uma nuvem de ar contaminado cujo nome é uma mistura de "smoke" ( fumaça) e "fog" (nevoeiro), não desapareceu completamente no cenário da cidade.
Mas o ar de Los Angeles voltou a ser respirável. Este ano, pela primeira vez em meio século, os angelinos não tiveram ainda que amargar uma única alerta de poluição.
Em comparação, dez anos atrás cidade enfrentava mais de 50 alertas por ano, levando as autoridades a desaconselhar exercícios físicos nas ruas e a pedir às pessoas com problemas respiratórios e circulatórios para não sair de casa.
Os níveis de ozônio, que provoca o smog, são hoje 90% mais baixos do que eram na década de 50. As partículas de chumbo foram praticamente eliminadas. E as emissões de outros gases nocivos caíram em percentuais significativos.
O sucesso da segunda maior cidade americana no combate à poluição atmosférica não aconteceu da noite para o dia. É um trabalho de mais de 50 anos, que envolveu muita pesquisa, a criação de instituições e a adoção e aplicação dos mais rigorosos regulamentos de controle da qualidade do ar dos EUA.
Nesse processo, que continua, Los Angeles e a Califórnia tornaram-se a referência nacional sobre o assunto e inventaram um novo setor na economia: a das tecnologias de limpeza ambiental.
O combate à poluição começou em 1947 quando a prefeitura baniu a queima de lixo. Até então, não havia coleta de lixo organizada em Los Angeles e o problema era resolvido por cerca de 300 mil incineradores domésticos instalados nos quintais das casas. Nos anos 50, surgiram os primeiros órgãos de regulamentação ambiental com mandato para coibir as emissões das centenas de indústrias que haviam se instalado na área durante a Segunda Guerra para produzir aviões, navios, tanques e outras armas e equipamentos para a campanha do Pacífico.
Em 1966, por causa principalmente de Los Angeles, a Califórnia adotou o primeiro sistema de controle de emissões de gases para automóveis uma das medidas precursoras do Clean Air Act, a lei nacional aprovada em 1970 e que está até hoje em vigor. Nos anos 70, o estado introduziu duas novas medidas importantes: obrigou a indústria automobilística a instalar catalizadores no sistema de escapamento dos carros e exigiu que os postos de gasolina se equipassem para cortar as emissões de vapores de gasolina nas bombas.
Em 1977, o caráter regional do problema levou as diferentes comissões e repartições locais de controle da poluição a se juntaram numa única instituição, o Distrito de Gestão da Qualidade do Ar na Costa Sul (AQMD), que abrange as 25 municipalidades da área metrolitana de Los Angeles, onde vivem 15 milhões de pessoas.
"A coisa mais importante que a agência fez foi criar uma visão de que podemos ter ar limpo", disse James M. Lents, o atual diretor da AQMD. "Já não se diz mais que é impossível atender aos padrões de controle".
Mirando o futuro, a AQMD tem uma plano detalhado, com objetivos anuais de redução da contaminação atmosférica até 2007. Entre eles, está a entrada no mercado de veículos elétricos, a partir de 2003, para conter a principal fonte da poluição, que são os carros, ônibus e caminhões.
Não há uma estimativa segura sobre o custo da bem sucedida luta de Los Angeles para poder voltar a respirar um ar de qualidade aceitável.
Nacionalmente, a Administração federal de Proteção Ambiental (EPA) calcula que US$50 bilhões são despendidos por ano nos EUA no combate à poluição atmosférica. Novos regulamentos baixados pela EPA, em 1997, apertando ainda mais a aplicação do Clean Air Act, custarão US$ 8 bilhões adicionais por ano. Mas os benefícios do investimento estão evidentes.
A diminuição do número de horas de trabalho perdidas por causa de doenças causadas pela poluição fez centenas de empresas rever seus planos de deixar a cidade. Segundo projeção de um estudo financiado pela AQMD, os esforços para cumprir as metas de redução da contaminação do ar representam uma poupança de US$ 9,4 bilhões por ano com despesas com saúde, graças, sobretudo, à queda da incidência de doenças respiratórias e cardíacas.


