Lopes voltará à Macrométrica em janeiro
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 14 (AE) - O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes vai voltar oficialmente em janeiro à Macrométrica Pesquisa Econômica, a empresa de consultoria que criou em 1984. Lopes responde a dois inquéritos policiais relativos ao suposto vazamento de informações para os Bancos Marka e FonteCindam, em janeiro, quando houve a mudança do câmbio. O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos recomendou a punição da diretoria do BC, incluindo o ex-presidente, e Lopes é alvo também de duas ações por improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público Federal.
Nenhuma delas, no entanto, questiona a relação de Lopes com a Macrométrica, apesar de, durante as investigações, ter-se apurado que o então diretor do BC era fiador do imóvel em que funciona a empresa. A consultoria tinha na figura do economista, que se projetou nacionalmente na criação do Plano Cruzado, seu principal cartão de visitas.
Em 1995, ele deixou a sociedade: cinco dias antes de assumir o posto de diretor de Política Econômica do Banco Central, Lopes transferiu suas cotas para outros sócios, entre os quais sua mulher, Araci Pugliese. Mas continuou sócio de um filhote da empresa, a Macrométrica Editora, que publica livros e revistas técnicas.
BC - Um dos clientes da consultoria é o próprio Banco Central. Segundo a assessoria de imprensa do BC, o banco utilizava diversos produtos da Macrométrica, mas os contratos foram vencendo e não renovados. Ainda resta a assinatura do boletim mensal de análises - um dos carros-chefes da empresa - que vencerá em janeiro e também não será renovada. O BC não informou, porém, porque não pretende mais utilizar a consultoria de seu ex-presidente.
O diretor de marketing da consultoria, Bruno Pugliese, contou que um dos principais contratos com o BC, que usava o Banco de Dados desenvolvido pelo Macrométrica, venceu em meio ao escândalo envolvendo Lopes - e, como outros, não foi renovado. "Ficamos com medo de uma debandada geral dos clientes", confessou. "Não perdemos contratos, mas percebemos que as pessoas não entravam mais em contato com a gente, nem os amigos telefonavam". A situação melhorou, segundo ele, nos últimos meses.
A empresa será reformulada com a volta de Lopes. "Ele está cheio de idéias e quer investir em cenários de longo prazo", disse Pugliese. "Foi o próprio Chico quem se impôs essa quarentena, esperando o fim da CPI". A estratégia de Lopes parece estar dentro da lógica da intrincada citação de sua autoria que abre o site da Macrométrica na Internet: "Cenários quantitativos organizam nossa ignorância, permitindo identificar os encadeamentos lógicos entre eventos futuros. Só assim é possível fazer planejamento estratégico a sério."


