Brasília, 02 (AE) - A passagem de Francisco Lopes pela presidência do Banco Central foi inédita. Pela primeira vez na história do BC um presidente sabatinado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e aprovado pelo plenário não tomou posse. Entre a aprovação formal do Senado, no último dia 28, e sua saída, passaram-se apenas cinco dias. A solenidade de posse estava marcada para a próxima quarta-feira, 10 de fevereiro, quando, oficialmente, receberia o cargo das mãos do ex-presidente Gustavo Franco. Desde a despedida de Gustavo Franco, no dia 13 de janeiro, Francisco Lopes ocupava, interinamente, a presidência do Banco Central.
Mesmo no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, o comando único no Ministério da Fazenda não significou estabilidade no cargo para o presidente do Banco Central. Pelo BC passaram, nesses quatro anos, Pérsio Arida, Gustavo Loyola e Gustavo Franco. Agora seria a vez de Francisco Lopes que ocupava
desde 1995, a diretoria de Política Econômica, cargo criado exclusivamente para ele. Com a mudança de Alkimar Moura para a diretoria de Normas, em 1996, Lopes passou a acumular também a diretoria de Política Monetária. A substituição de Lopes por Armínio Fraga, que já foi diretor da área Externa do BC entre 1991 e 1992, quando Francisco Gros era presidente do Banco Central, foi a mais rápida da história do BC.
No Banco Central, Francisco Lopes era considerado um ortodoxo em política monetária. Na época em que ele e Franco eram colegas de diretoria, as divergências entre ambos eram enormes. Sem dar, publicamente, palpites na área externa, a política de flexibilização mais rápida do câmbio, defendida por Pérsio Arida
contou com o apoio de Francisco Lopes. Na ápoca venceu Gustavo Franco. A tumultuada mudança na política cambial, no entanto, feita no dia 13 de janeiro, foi comandada por Francisco Lopes. Foi dele a idéia da banda mais larga para a taxa de câmbio. Só que o mercado enfrentou o Banco Central, forçou a venda significativa de reservas internacionais e fez com que, no espaço de apenas dois dias, o governo passasse a deixar o câmbio flutuar livremente.

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