Rio, 30 (AE) - O ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes só dará explicações sobre os documentos apreendidos em sua casa, durante operação de busca e apreensão determinada pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal do Rio, se eles forem transformados em provas e encaminhados à Justiça. A decisão vale até mesmo para a carta na qual o ex-sócio da Macrométrica Sérgio Bragança diz ter sob a custódia U$ 1,675 milhão de dólares depositados num banco no exterior, valor que pertenceria a Chico Lopes.
A informação foi dada hoje por um porta-voz do escritório do advogado Luiz Guilherme Vieira, defensor de Chico Lopes. Segundo ele, ainda não será feito qualquer comentário sobre a "veracidade" da carta e do conteúdo, mas será contestada a forma como ela foi obtida, assim como outros supostos documentos. O advogado considerou irregular, abusiva e ilegítima a operação.
Segundo ainda o porta-voz, a conclusão do relatório da comissão de sindicância do BC é positiva. De acordo com o resultado do relatório, não foi encontrado nenhum indício de irregularidade praticada pelos funcionários do BC sobre possível vazamento de informações privilegiadas para instituições financeiras em janeiro. O trabalho concluiu ainda que as operações do BC com os Bancos Marka e FonteCindam foram revestidas de absoluta legalidade.
O porta-voz disse, entretanto, que ainda não foi dedicido que uso será feito do relatório da comissão de sindicância do BC, na defesa de Chico Lopes. Sobre as demais acusações que pesam sobre o Chico Lopes, o porta-voz disse: "Não estamos nos defendendo de qualquer acusação porque elas não existem."

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