Lopes participou de almoço com Bragança 1 dia após saída do BC
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domingo, 25 de abril de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 26 (AE) - O economista Francisco Lopes desligou-se do Banco Central (BC) no dia 2 de fevereiro, num processo de afastamento até hoje não esclarecido. No dia seguinte, de volta ao Rio, onde mora, participou de uma espécie de almoço de desagravo, numa churrascaria em Ipanema, na zona sul do Rio. Ao lado dele, Sérgio Bragança, sócio da empresa de consultoria Macrométrica, e mais cinco amigos.
Bragança, Lopes e a Macrométrica estariam, dois meses depois, no centro do escândalo envolvendo denúncias de uma suposta venda de informações privilegiadas do BC a bancos privados. O caso inclui acusações de remessa de US$ 17 milhões para o exterior por um fundo pertencente ao dono Banco Marka, Salvatore Cacciola, com dólar comprado abaixo do câmbio com o aval do BC e manutenção de contas no exterior em nome de Sérgio Bragança, com US$ 1,6 milhão, pertencente a Lopes, sem declaração no Imposto de Renda.
O almoço do dia 3 de fevereiro foi flagrado por repórteres que mantinham plantão em frente à casa de Lopes e o seguiram até a churrascaria. Sérgio Bragança chegou a sugerir que o grupo se transferisse para uma área reservada fora restaurante, para fugir do assédio da imprensa. Lopes decidiu permanecer, com o compromisso de que eles pudessem almoçar com a privacidade possível.
Há dez dias, Lopes havia confirmado a antiga sociedade com Bragança e a amizade "de mais de 20 anos" com o matemático. Disse que não eram mais sócios, mas encontravam-se com fequência. Na ocasião, omitiu o detalhe de sua mulher, Araci Pugliese, ter ocupado o seu lugar na empresa. Mas forneceu o telefone de Bragança. "Ele mesmo vai querer esclarecer este assunto", disse, referindo-se às acusações da revista Época de que Bragança estaria vendendo informações no mercado artribuídas a fontes do BC. Sérgio Bragança está em silêncio desde que seu nome começou a aparecer no caso. Não é encontrado em sua casa, no Leblon, na zona sul, nem na sede da Macrométrica, no Centro do Rio.


