Brasília, 26 (AE)- O presidente indicado do Banco Central, Francisco Lopes, em sua exposição aos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), disse ainda que o mercado está cometendo um erro ao fazer previsões de impacto fiscal resultante da flutuação do câmbio. Segundo Lopes, haverá impacto, mas "certamente o mercado tem estimativas exageradas". O economista assegurou que, daqui a um ano/15 meses, a desvalorização será menor do que atualmente. Lembrou que isso aconteceu no México e nos países asiáticos. "Com a dívida de longo prazo, o impacto fiscal da flutuação do câmbio é bastante reduzido", afirmou. Francisco Lopes observou que os títulos cambiais no Brasil têm um prazo de 15 meses, em média, e que o impacto da variação da taxa de câmbio não reflete necessariamente um aumento do custo da dívida.
O presidente em exercício do Banco Central, Francisco Lopes, chamou a atenção dos senadores presentes na audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, para o fato de que os investimentos diretos estrangeiros têm um importante impacto sobre o nível de produtividade da economia brasileira. Ele lembrou que no mundo atual é muito importante a questão da qualidade do investimento, onde se observa "com bastante atenção" a qualidade da população de um país e do seu parque industrial.
Ele disse que esses progressos, tanto do ponto de vista da qualidade da populaçção quanto da forma de trabalho de um país dependem dos investimentos diretos. Ele enfatizou que um dos grandes malefícios de uma moratória seria exatamente provocar uma brusca redução dos investimentos diretos.
O presidente em exercício do Banco Central, Francisco Lopes, disse ainda na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que as reservas internacionais estão hoje em aproximadamente US$ 36 bilhões. Desse total, segundo Lopes, estão incluídos os US$ 9,3 bilhões já recebidos pelo governo brasileiro do Fundo Monetário Internacional e de um grumpo de 19 países desenvolvidos. Sem contabilizar esses recursos, as reservas, segundo Lopes, estariam aproximadamente em U$S 27 bilhões. Ele ressalvou, no entanto, que a situação é bastante confortável em razão da possibilidade de o Brasil receber neste ano mais de US$ 20 bilhões do FMI e dos países desenvolvidos. Diante dessa possibilidade, Lopes acredita que o País poderá ter em 1999 um superávit no balanço de pagamentos e, em conseguência, um crescimento das reservas internacionais que poderiam fechar o ano na casa dos US4$ 50 bilhões. Lopes também enfatizou que o déficit em transações correntes do Brasil com o exterior sofrerá uma "dramática melhora" em 99, em função das mudanças do regime de política cambial adotado pelo governo brasileiro.
O presidente em exercício do Banco Central, Francisco Lopes fez questão de enfatizar em seu depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado a sua rejeição do "currency board" como solução. "Não funciona. Funciona na Argentina e esperamos que continue funcionando", afirmou Lopes, enfatizando que não interessa ao Brasil que a Argentina passe por problemas econômicos neste momento. Lopes, no entanto, destacou que torce para que num período de 10 a 15 anos a Argentina "evolua" para um regime de flutuação igual ao do Brasil. "Mas isso é coisa para longo prazo. É para os nossos filhos", disse.
O presidente indicado do Banco Central, Francisco Lopes, disse, em resposta ao senador José Eduardo Dutra (PT-SE), não ter certeza sobre o impacto da desvalorização do real no nível de emprego no País. "Tenho dúvidas se haverá um efeito forte sobre a taxa de emprego", disse. Ainda em seu depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Lopes afirmou que a taxa de desemprego foi alta nos últimos anos e que não houve baixa atividade econômica. Disse que a questão do desemprego tem mais a ver com o câmbio do que com o nível de atividade da economia. Lopes disse entender que, com a desvalorização, a indústria, que vinha sendo "massacrada" com a sobrevalorização do real pela concorrência externa, poderá voltar a empregar maior número de trabalhadores, assim como deverá fazer também o setor exportador. "Mas eu posso estar enganado, os economistas erram muito", admitiu. E observou: "Infelizmente, a economia é um conjunto de modelos formado com base em modelos de outros países". Francisco Lopes, no entanto, disse não ter certeza de que a situação do emprego vá piorar. "Vamos ter que avaliar depois o que vai acontecer".
O presidente indicado do Banco Central, Francisco Lopes, disse há pouco aos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) que o sistema bancário brasileiro "está sólido". Essa estabilidade, segundo ele, se deve ao "tão injustiçado Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Bancário Nacional)". "Não há situação que preocupe, na área bancária, é muito importante que tenhamos um sistema bancário sólido, neste momento", disse Lopes, ao lembrar que em outros países a introdução da flutuação do câmbio foi feita numa conjuntura em que havia problemas no sistema bancário.
O presidente indicado do Banco Central, Francisco Lopes, defendeu ante os senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) a independência do Banco Central. Apesar de considerar o termo até "inadequado", ele disse que é importante "despolitizar" o BC e deixá-lo mais comprometido com o Poder Legislativo. "É importante que o Banco Central passe a prestar contas a esta Casa em termos dos objetivos maiores da Nação, e estamos entendendo, aí, como objetivo a garantia da estabilidade", afirmou Francisco Lopes. "Não teremos desenvolvimento sem moeda forte", disse. Lembrou que o regime militar tentou o desenvolvimento econômico com uma moeda frágil, "e deu no que deu".

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