Lopes encerra exame no IML e volta ao hotel
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Sônia Cristina Silva e Hugo Marques 
Brasília, 27 (AE) - O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes terminou há poucos instantes o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) do Distrito Federal. Ele retornou ao hotel onde está hospedado.
Segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que acompanhou Lopes à sede da Polícia Federal, ele pouco falou no depoimento dado ao delegado Paulo de Tarso Teixeira, preferindo ser interrogado em juízo.
Segundo Suplicy, nos poucos minutos em que conversou com o ex-presidente do BC, Lopes falou das pressões recebidas do Fundo Monetário Internacional (FMI) nos poucos momentos em que ficou na presidência do Banco Central. "Ele tem muitas informações a dar", disse o senador.
Suplicy afirmou que o diálogo que teve com Lopes foi rápido, não sendo possível esclarecer as razões de seu afastamento do BC
mas confirmou declarações publicadas domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo, quando foi indagado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o que achava de Armínio Fraga. "Ele disse, além disso, que quem deveria sair era o Malan", afirmou Suplicy.
Segundo o senador, Francisco Lopes afirmou, durante a conversa
que ficara sabendo que na direção do FMI a palavra "que vinha muito forte era a de que a política econômica só poderia ter uma cabeça". Lopes, segundo o senador, disse que um ponto relutante durante sua estada no BC foi a pressão do FMI para que o Brasil viesse a adotar o currency board (conselho de moeda) e que não foi fácil para a direção do Fundo aceitar a taxa flutuante.
Suplicy acredita que Lopes, em algum momento, deve falar à CPI
mas seus advogados afirmaram que isso iria acontecer em uma condição favorável, não explicando do que se tratava. Um dos argumentos de Lopes para não depor era o de que suas afirmações poderiam ser utilizadas nos processos a que está respondendo na Polícia Federal e no Ministério Público.


