Lopes e Mauch devem ser os próximos a depor na CPI
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Claudia Carneiro 
Brasília, 15 (AE) - O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes e o ex-diretor de Fiscalização Cláudio Mauch serão os próximos depoentes que a CPI do Sistema Financeiro quer convocar já para esta segunda-feira (19). O relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), vai definir amanhã (16), numa reunião interna que a comissão realiza às 10h, o horário do depoimento dos dois, mas já decidiu que eles terão de prestar depoimento separadamente.
Integrantes da CPI querem explicações de Francisco Lopes sobre as razões, e o amparo legal, da venda de dólares pelo Banco Central abaixo da cotação de mercado aos bancos Marka e FonteCindam. Lopes era o presidente do BC quando houve a operação de socorro a qual, segundo depoimento do atual presidente, Armínio Fraga, à CPI, foi resultado de uma decisão colegiada.
Depois de seis horas e quinze minutos ouvindo Fraga e o diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, os senadores aprovaram cinco requerimentos para que a CPI tome novas medidas preventivas e de solicitação de documentos. Serão requisitados ao BC todos os documentos e relatórios sobre a apuração interna do banco sobre o caso Marka e FonteCindam, além dos documentos que sustentaram a venda de dólares a preços inferiores para essas duas instituições.
Por requerimento dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Saturnino Braga (PSB-RJ), a CPI vai também requisitar ao BC informações sobre todas as remessas de capital para o exterior feitas pelos bancos Marka e FonteCindam, além da distribuição de lucros e dividendos e qualquer remuneração dos acionistas dos bancos. Uma das indagações feitas pelos senadores a Armínio Fraga foi por que o BC permitiu a remessa pelo banco Marka de US$ 17 milhões ao exterior, quando o banco não tinha saúde financeira, e por que não exigiu a repatrição imediata desse montante.
O senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) teve aprovado seu pedido para estender à imobiliária Marka o bloqueio e a indisponibilidade dos bens, como foi feito com o banco Marka. Suplicy requereu também a convocação de Cíntia Costa de Sousa, advogada do Banco Marka que tornou-se depois sócia de Salvatore Cacciola. O senador petista quer que o Itamaraty auxilie a CPI na convocação de Cacciola para depor, se for necessário. O banqueiro está na Itália.
No fundo do plenário da CPI, o advogado do banco FonteCindam
Técio Lins e Silva, assistiu ao depoimento de Armínio Fraga e garantiu que tanto o dono da institução, Luís Antônio Gonçalves, quanto seus sócios, estão à disposição da CPI para prestar informações. Lins e Silva rebateu todas as informações de que o banco teria agido de má-fé quando recebeu ajuda do Banco Central para não ser liquidado. "Isto em português pode ser denominado de uma boa intriga, não é prova, nem é verdade", disse ele.


