Lopes depõe no BC
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 16 (AE) - O ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes prestou hoje (16) dois depoimentos na sede do Banco Central, onde permaneceu durante quase cinco horas.
O primeiro foi na Comissão de Sindicância do BC, que apura denúncia sobre suposto vazamento de informações durante a mudança do regime cambial, em janeiro.
O outro foi dado ao delegado da Polícia Federal, Luiz Pontel de Souza, que está cuidando da parte criminal do caso. Tanto a PF, quanto o BC, não informaram o teor das declarações de Lopes, mas fontes ligadas ao Ministério da Justiça admitem que não houve novidades no depoimento.
Francisco Lopes chegou por volta das 14h ao Banco Central, onde ficou até às 19h. Durante este período, ele não sabia que sua casa, no Rio de Janeiro, havia sido vistoriada por procuradores da República e agentes da PF.
Tranquilo, ele conversou primeiro com os técnicos do BC, a quem teria negado envolvimento no vazamento de informações sobre a mudança cambial. Algumas horas depois, Lopes foi ouvido pelo delegado Pontel, da Divisão de Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie) da PF.
Também à ele, o ex-presidente do BC também não teria revelado nenhum fato novo. Os dois depoimentos foram acompanhados pelo procurador da República, Luiz Agusto Santos Lima, designado pelo Ministério Público para acompanhar o caso na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro.
O ex-presidente do Banco Central chegou e saiu do local do Banco Central sem ser visto. Até o final da tarde, os funcionários do BC negavam sua presença no prédio. Só depois das 17 horas é que foi confirmado que o depoimento de Francisco Lopes estava sendo tomado. Os testemunhos foram ouvidos em momentos diferentes, já que a PF apura a parte criminal do episódio, não interferindo no processo administrativo instaurado pela autoridade monetária. "Até as perguntas devem ter sido diferentes", observa um delegado da PF.
Depois de ouvir Lopes, Pontel e Santos Lima se reuniram na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, para analisar o depoimento do ex-presidente do BC. O ministro da Justiça, Renan Calheiros, também teve um encontro reservado com sua assessoria jurídica, por volta das 21 horas de hoje, para avaliar os efeitos da busca feita pelo MP na casa de Lopes. Para o ministro
a ação pode ter sido ilegal, já que os procuradores, juridicamente, não teriam poder para promover a diligência.
A partir do depoimento de Lopes é que a PF vai fazer uma agenda apontando quais serão os próximos depoimentos necessários. Segundo fontes da direção da Polícia Federal, provavelmente o banqueiro Salvatore Cacciola, dono do Banco Marka, que está em Milão, Itália, será ouvido ainda segunda-feira no Rio de Janeiro.


