Brasília, 26 (AE) - O presidente em exercício do Banco Central, Francisco Lopes, disse ainda em sua exposição inicial na sabatina realizada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que não havia possibilidade de controle do processo inflacionário sem a âncora cambial. Segundo ele, no Brasil foi "imperativo" o uso da âncora cambial para o controle da inflação. Lopes destacou que no Brasil, a âncora teve um "tremendo" sucesso e lembrou que o Brasil passou de uma inflação de 5.000% ao ano para 22% em 1995, 9% em 96, 4% em 97 e 2% em 1998. Francisco Lopes destacou, no entanto, que essa âncora cambial deteriorou o balanço de pagamentos no País. "Infelizmente nada é perfeito neste mundo, embora eficaz no combate à inflação, a âncora cambial teve consequências desagradáveis para o balanço de pagamentos", afirmou.
O presidente em exercício do Banco Central disse que é natural nesse processo uma sobrevalorização da moeda, mas destacou que ela vinha sendo corrigida ao longo do tempo, a uma velocidade de 7% ao ano. "Esse processo vinha conseguindo recuperar a perda da produtividade", destacou. Lopes disse ainda que nos últimos dois anos o processo de desvalorização gradual da moeda provocou um ganho de competitividade do produto nacional de 12%. "É um ganho bastante expressivo para dois anos", observou. Ele enfatizou ainda que a desvalorização de 7% ao ano criou uma pressão sobre as taxas de juros e que apesar dos esforços continuados do governo em reduzí-la, não foi possível baixá-la para abaixo de 20% ao ano.

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