Brasília, 19 (AE) - A companheira de Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, Araci Benttes dos Santos Pugliese, é sócia-proprietária da empresa Macrométrica, cujos sócios Sérgio e Luiz Augusto Bragança, foram apontados pela revista Época desta semana como as pessoas que arranjavam clientes para a empresa usando da relação de amizade com Francisco Lopes.
A informação da participação de sua companheira na Macrométrica foi prestada pelo próprio Francisco Lopes, em depoimento na última sexta-feira, em Brasília, na sede da Polícia Federal.
No depoimento de 12 páginas, que foi acompanhado pelos procuradores da República Luiz Augusto Santos Lima e Guilherme Schelb, Francisco Lopes negou conhecer ou ter qualquer tipo de relacionamento pessoal ou profissional com Salvatore Cacciola, dono do banco Marka.
As declarações de Francisco Lopes foram feitas antes da divulgação do bilhete de Cacciola para ele, veiculado pela revista IstoÉ. No bilhete o banqueiro pede a sua interferência junto ao diretor de Fiscalização, Cláudio Mauch, para as negociações com o Marka, prometendo ainda sair do mercado e "esquecer tudo".
Francisco Lopes garantiu, no depoimento, conhecer Luiz Antônio Gonçalvez, presidente do Banco FonteCindam; Rubem de Freitas Novaes, Francisco de Assis Moura, do Fundo Marka-Nikko e Eduardo Modiano. Sobre Luiz Antônio Gonçalvez Francisco Lopes admitiu ter tido alguns contatos em seu gabinete, na sede do BC, no Rio de Janeiro. Com relação a Modiano, que foi sócio fundador do Grupo Macrométrica, Francisco Lopes informou que suas relações estão estremecidas desde 1986, quando ele deixou a empresa depois de se desentenderem.
O ex-presidente do BC afirmou no interrogatório que a mudança do regime cambial foi decidida em reunião no Palácio do Planalto na noite de 11 de janeiro na presença do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do ministro chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho.
Segundo Francisco Lopes ele foi sondado, informalmente, pelo Presidente da República para assumir o Banco Central em outubro do ano passado tendo recebido novo telefonema de Fernando Henrique no dia 8 de janeiro, quando ficou acertado que ele asumiria, efetivamente, o BC.
Francisco Lopes contou que só no dia seguinte, 12 de janeiro, pela manhã, comunicou a decisão do governo ao diretor de Assuntos Internacionais, Demósthenes Madureira de Pinho Neto e para a chefe do departamento de Reservas Internacionais, Maria do Socorro Costa de Carvalho, para que fossem tomadas as providências necessárias. Lopes garantiu que não conversou, no período, com nenhum banqueiro e que não acredita na veracidade das matérias que vem saindo na imprensa sobre vazamento de informações privilegiadas, secretas ou sigilosas do BC.
O ex-presidente do BC confirmou as operações de venda de contratos de dólar no mercado futuro para os bancos Marka e FonteCindam, alegando que elas foram absolutamente legais. "Se não tivesse convicção absoluta da legalidade dessas operações, as mesmas não seriam realizadas", declarou.
Ainda segundo Francisco Lopes a decisão foi tomada pela diretoria colegiada do BC. O ex-presidente não concordou com a avaliação de prejuízo da operação, dizendo que "não houve prejuízo porque o BC operou com os dois bancos a preços superiores aos praticados pela BM&F. Sobre a sua saída do BC, Francisco Lopes disse que a pergunta deveria ser dirigida ao Presidente da República.

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