Londrinenses surpreendidos por nova tarifa
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sexta-feira, 02 de janeiro de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local 
Londrina O aumento de R$ 0,30 no valor da passagem do transporte coletivo de Londrina encareceu o passeio de algumas famílias no primeiro dia do ano. O pintor Gilberto Domingos foi pego de surpresa pelo reajuste e só conseguiu embarcar no ônibus com a ajuda de um amigo. "Eu estava com o dinheiro contado. A sorte foi que ele completou os R$ 2,95. Esse começo de ano está sendo difícil. É muito aumento", desabafou.
O amigo, o motorista Edvaldo Burque, também reclamou do novo preço da tarifa. "É um absurdo. Acho o sistema de transporte muito bom, mas tem muita gente que usa. Não é possível que não tenha tanto lucro assim e que a gente tenha que pagar mais por isso", desabafou, acompanhado dos dois filhos.
O novo valor da tarifa foi anunciado no início da noite de terça-feira. A cozinheira Luciana do Prado criticou a data do reajuste. "Não deveria ter começado no dia 1° de janeiro. Não dá nem tempo das pessoas reagirem. Até todo mundo cair em si, vai demorar. O pessoal ainda vai voltar das férias e do recesso. O reajuste não é justo", declarou.
"Achei uma fortuna. Os ônibus são sempre lotados e atrasam muito", disse a secretária Geise Rodrigues, acompanhada da filha. A dona de casa Dianeide Rodrigues comemorou o passe livre para estudantes do Ensino Fundamental e Médio. "O aumento é absurdo, mas o passe livre já facilita um pouco", explicou.
Além dos usuários, a tarifa de R$ 2,95 também causou indignação na empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). Os critérios utilizados nos cálculos do município não agradaram a direção da empresa. Os representantes souberam do valor reajustado após anúncio oficial feito pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Em nota enviada pelo Metrolon, o sindicato das empresas, a TCGL destacou que recebeu com espanto as informações relacionadas à definição da tarifa. "Foi informado que os cálculos foram efetuados a partir dos menores valores dos itens da planilha. Essa mudança de critério novamente desrespeita o contrato de concessão assinado em 2004, que prevê que devem ser utilizados índices médios e preços ponderados da Planilha Geipot acrescidos de margem de contribuição operacional (lucro de 7,5% a 10%)", explicou a nota.
A empresa ressaltou ainda que investiu R$ 30 milhões na execução do serviço de transporte coletivo, manteve a frota atualizada nos últimos anos, realizou melhorias no Terminal Urbano central e construiu pontos de ônibus e o Terminal da Zona Oeste. Segundo a TCGL, o cálculo "não preserva o equilíbrio econômico-financeiro do contrato e, muito menos, faz frente a todas obrigações assumidas pelo poder público em relação às empresas que operam o sistema de transporte".
A TCGL sugeriu ainda que a redução no valor da tarifa poderia ser feita com a desoneração de impostos e taxas repassadas hoje ao usuário do transporte coletivo. A empresa espera mudanças nos cálculos realizados pela CMTU e ameaça acionar a Justiça para preservar os direitos contratuais. Conforme a assessoria do Metrolon, a empresa Londrisul, que também é responsável pelo serviço de transporte coletivo em Londrina, ainda não se manifestou sobre o reajuste.
A CMTU divulgou que a média mensal de passageiros transportados pelo sistema é de 4.180.812 usuários. A quilometragem média mensal é de 2.447.544 km. A frota hoje é composta de 434 veículos, que operam em 139 linhas. No ano passado, foram 90 veículos substituídos e 21 acrescidos à frota. (Colaborou Vítor Ogawa)


