Londrinenses revelam insatisfação com o corpo
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domingo, 08 de julho de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Não adianta. Elas podem estar ®MDNM¯magras, com tudo em cima e lindas. Mas, mulher sempre acha alguma parte do corpo para ficar insatisfeita. Uma pesquisa encomendada pela FOLHA e feita pela Impar Inteligência de Marketing e Inbrape Pesquisa comprovou isso em números (confira no quadro). Os homens, apesar da maioria ainda estar satisfeita com o próprio corpo, já começam a apresentar patologias da vaidade. A informação é da psiquiatra Zuleica Barreto Campos, de Londrina.
A pesquisa, que ouviu jovens com idade entre 18 e 30 anos, mostra que 60,5% das mulheres se incomodam com alguma parte do corpo, enquanto nos homens apenas 22% tem alguma queixa em relação ao físico. A barriga é a parte do corpo que mais incomoda nas mulheres (52%), e nos homens, o nariz (32%).
Para a psiquiatra Zuleica Barreto Campos, os números apontados na pesquisa refletem a cultura em que vivem as mulheres brasileiras. Além de um percurso de desenvolvimento da feminilidade mais complexo, hoje ''vivemos em uma cultura muito narcísica'', em que há uma demanda grande para que todos se adaptem aos ideais do corpo perfeito, do profissional bem sucedido, da vida feliz e perfeita. ''É a negação da falta, as coisas todas têm que ser 'super hiper', e de alguma maneira as pessoas se convencem de que isso é possível. Abrem mão da beleza individual para ter a beleza do ideal'', afirma.
Dentro de um padrão imposto pela sociedade, o que poderia ser visto como diferença, ou como individualidade, não é valorizado. Há pessoas que conseguem negociar isso, e ser feliz, mesmo que diferente do padrão. Mas, outras, fazem ''de tudo'' para se encaixar. O problema disso, segundo a psiquiatra, é formar pessoas eternamente insatisfeitas com o próprio corpo, o que pode resultar em ''patologias narcísicas'', como depressão, ansiedade e transtornos alimentares. ''As pessoas adoecem por não saber lidar com a finitude do próprio corpo'', afirma.
No caso dos homens, que na pesquisa se dizem satisfeitos com seu corpo, Zuleica alerta que isso também vem mudando, com o crescimento de casos de vigorexia ou anorexia reversa. Diferentemente da anorexia, em que as mulheres se vêem gordas, apesar de estarem extremamente magras, na reversa, os homens, mesmo malhados e cheios de músculos, ainda se vêem fracos. ''Além de usarem hormônios (anabolizantes), que têm efeitos colaterais graves'', alerta.
Para a pesquisa (ver infográfico) foram entrevistadas 255 pessoas, em cinco pontos da região central da cidade, Terminal Urbano, imediações do Shopping Royal Plaza, Avenida Higienópolis e dois pontos no Calçadão.


