Pacientes de Londrina podem ter sido submetidos a cirurgias com próteses feitas de material sucateado. A cidade foi uma das 12 incluídas na Operação Metalose, deflagrada ontem pela Polícia Federal (PF) com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a partir de investigações iniciadas em Marília (SP). Vinte e seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão.
Em Londrina, agentes da PF apreenderam computadores, documentos, panfletos, notas fiscais e próteses em quatro locais, incluindo a residência do neurocirurgião Sérgio Murilo Georgetto e a clínica onde atua na Avenida Bandeirantes. Segundo o delegado-chefe da PF em Londrina, Evaristo Kuceki, a polícia também esteve no hospital Santa Casa buscando nomes de pacientes que poderiam ter recebido as próteses falsificadas.
''Temos informação de que pessoas de Londrina fariam parte da quadrilha que usava até sucata de avião nas próteses'', afirmou Kuceki. Ele salientou que o médico colaborou com as investigações, apontando possíveis pacientes lesados, e que seu envolvimento no esquema ainda não foi confirmado. O neurocirurgião não foi localizado pela reportagem.
Na distribuidora de próteses Spinal - onde foram recolhidas próteses - o próprietário, Juliano Furlan Amaral, garantiu à FOLHA que todos os materiais possuem registro na Anvisa. ''Como existe a operação e a polícia precisa checar as distribuidoras, entendemos a importância dessa avaliação. Queremos apenas deixar claro que o nosso material está todo regularizado com documentações e registro de qualidade'', disse.
Outro alvo das apreensões foi a casa da presidente da Associação de Mulheres de Policiais Militares, Vera Rubbo. Segundo ela mesma explicou, a polícia chegou até seu nome porque a associação ajudou o PM Jorge Setsuo Kobayashi - baleado em março do ano passado - a arrecadar dinheiro para cobrir uma cirurgia de coluna. ''Na Santa Casa, onde ele estava internado, o médico (Georgetto) indicou a Spinal para a aquisição da prótese. Tudo que fizemos foram campanhas para ajudá-lo, porque o SAS não queria cobrir a operação'', justificou.
Kobayashi, que está fazendo tratamento mas ainda depende de uma cadeira de rodas para se locomover, disse que não sentiu nenhuma reação estranha ao material usado na cirurgia, mas que ficou preocupado. ''Quando minha condição começa a melhorar, essa notícia vem como uma bomba. Começa a passar um monte de coisas pela cabeça'', desabafou. Ele confirmou que a distribuidora de próteses foi indicada pelo médico Sérgio Murilo Georgetto - o mesmo que fez sua cirurgia - e que a associação de esposas ''foi uma mão amiga, que só ajudou''.
Em Curitiba, a PF cumpriu apenas um mandado de busca e apreensão. Foi em uma clínica ortodôntica situada no Batel, bairro de classe média-alta da Capital. Segundo a assessoria de imprensa da superintendência regional da PF, no local foram apreendidos somente alguns documentos, mas ninguém foi preso.(Colaborou Fernanda Borges)

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