Homenagem contou com revoada de balões
Homenagem contou com revoada de balões | Foto: Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress

O novo coronavírus já fez quase um milhão de vítimas ao redor do mundo. A dor do luto de quem perdeu familiares e amigos durante a pandemia está sendo agravada pelas restrições impostas para evitar a disseminação de Covid-19. Conforme o protocolo adotado pelo Ministério da Saúde, no Brasil os velórios estão restritos a duas horas de duração com a permanência de apenas dez pessoas no mesmo espaço.

Diante desta triste realidade, cemitérios de mais de 30 países realizam neste domingo (20) uma "Homenagem aos falecidos durante a pandemia". Em Londrina, a iniciativa ganhou a adesão do Cemitério Parque das Allamandas. “O objetivo deste evento é permitir que familiares e amigos que tiveram um tempo reduzido para se despedirem de quem faleceu possam realizar com calma suas homenagens”, afirmou Karen Pontes, assessora de marketing do cemitério.

“Achei essa iniciativa muito válida, pois minha família não pôde se despedir do meu pai, que morreu de câncer em agosto. Havia suspeita dele ter contraído Covid e como o resultado do exame ainda não tinha saído, nem o velório a gente pôde fazer. O corpo chegou no cemitério e já teve que ser sepultado. Estamos emocionados pela oportunidade de fazer essa homenagem a ele hoje”, relatou o analista de sistemas Alécio Bittencourt da Cruz.

Segundo a assessoras de marketing do cemitério, 330 sepultamentos foram realizados desde o início da pandemia somente no cemitério localizado na zona oeste da cidade. “Nem todos esses falecimentos foram causados pelo novo coronavírus, mas mesmo assim o novo protocolo teve que ser seguido”, esclarece.

A homenagem incluiu distribuição de rosas brancas a todos os visitantes, além de revoada de balões brancos, acompanhado do trompetista Rogério Magalhães, que executou a “Canção da Silêncio”, composto por um autor anônimo. “Também criamos um varal da saudade para que sejam penduradas mensagens a quem partiu. E montagem uma árvore com fotos de quem faleceu”, detalha.

Imagem ilustrativa da imagem Londrinenses homenageiam falecidos na pandemia
| Foto: Isaac Fontana/Frame Photo/Folhapress
VIAGEM

A professora Suzane Pereira da Silva também participou do evento. “A dor de perder um familiar é tão grande que a gente não consegue processar durante o velório de apenas duas horas. Sem contar que vários familiares vieram de longe para assistir o sepultamento e não puderam participar da despedida do meu pai, que faleceu de infecção generalizada em abril, aos 68 anos. Aproveitei esse evento para me despedir dele novamente”, contou.

“Vim homenagear meu irmão, que morreu de infarto aos 63 anos. Ele era caminhoneiro e como não podemos nos despedir dele direito quando ele faleceu, em maio, ficamos com a impressão de que ele saiu para mais uma viagem e até agora não voltou”, disse a dona de casa Neuza Monteiro.

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