LondrinaAinda sangrando de saudades, a família do estudante Rafael Bernardino Ruiz, 19 anos, morto por assaltantes na tarde do dia 2 de maio, encabeçou a passeata realizada por amigos do rapaz. Com rostos pintados, faixas, cartazes e cruzes negras, mais de 200 pessoas percorreram ruas da Zona Oeste de Londrina no início da noite de ontem exigindo paz para todos e um combate definitivo contra a violência.
''Meu filho foi meu herói. Normalmente, são os pais que dão a vida pelos filhos, mas meu filho morreu tentando me salvar'', lamentou o pai de Rafael, o advogado Alberto Melhado Ruiz, que ainda se recupera das agressões que sofreu dos dois assaltantes que invadiram a casa da família, no Jardim Presidente. Ao ver o pai sendo espancado, Rafael tentou socorrê-lo e foi morto com um tiro no peito. ''A morte dele, e de muitos outros, não pode ter sido em vão. Ontem, foi meu filho. Daqui uns dias vai ser o filho de outra família e não podemos mais permitir que essas mortes continuem impunes'', completou. Impunidade que, segundo ele, é alimentada pela fraqueza e ineficiência do Estado em conseguir garantir segurança para todos.
Os amigos de Rafael que se concentraram em frente à Igreja Dom Bosco na avenida Maringá disseram que a passeata tinha a intenção de sensibilizar a população e cobrar das autoridades ações mais efetivas. No percurso, que passou pelas mesmas ruas que o estudante costumava andar e terminou com uma missa na Capela São Domingos Sávio, motoristas demonstraram apoio com sons de buzina, palavras de conforto e críticas à falta de segurança.
Moradores emocionados deixaram suas casas e, solidários, aplaudiram o movimento. Alberto e a esposa Marilene foram confortados durante todo o trajeto por conhecidos e até por desconhecidos. Mesmo sem o apoio da Polícia Militar e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), não houve nenhum incidente.
''Além de mostrar nossa indignação, queremos chamar mais gente para exigir que alguma coisa tem que ser feita'', falou Renan Garcia, 18 anos, que era amigo de Rafael há três anos. Ele recordou que foi o segundo amigo que a violência lhe roubou nos últimos seis meses. Em novembro do ano passado, Kalil Said Ibrahin El Rafih Júnior, de 18 anos, foi morto por assaltantes com um tiro na nuca junto com o tio, Antônio Rodrigues, 49 anos. Os amigos prometeram que esta foi a primeira de uma série de ação que pretendem organizar.
A Polícia Civil não chegou aos autores do latrocínio - roubo seguido de morte. Apenas apreendeu um veículo Ômega que pode ter dado fuga aos assaltantes.

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