Londrina - Alguns historiadores cravam que eram quatro horas da tarde de um ensolarado 7 de setembro de 1822 quando o príncipe regente Dom Pedro sacou a espada e, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, bradou, retumbante: "Brasileiros, de hoje em diante nosso lema será: Independência ou Morte". Mas foi sob uma chuva fina da manhã de ontem que os londrinenses foram à Avenida Leste-Oeste celebrar o Dia da Independência no desfile anual organizado pela Prefeitura com as forças de segurança da cidade.
Mal ouviu os acordes da banda anunciando a entrada do Tiro de Guerra, primeira corporação a desfilar, a pequena Nicole, 6 anos, marchava solenemente. "Ela adora ver os desfiles", dizia a diarista Josélia da Silva Barbosa, tia da menina, enquanto apressava os passos para procurar o melhor lugar. Era pouco mais de 9 horas e o canteiro central da Leste-Oeste já estava tomado de gente. Josélia também levou a neta, Raíssa, de 3 anos, e outra sobrinha, Yasmin, 5 anos. Saíram lá do Saltinho (zona sul) para acompanhar o cerimonial e prestigiar outro sobrinho dela, que desfilaria entre os bombeiros mirins. A chuva parecia não incomodar o público e os ambulantes.
Além das forças de segurança, como Polícia Militar, Guarda Municipal e Polícia Civil, o desfile teve a apresentação de mais de 20 entidades civis, sociais, esportivas e assistenciais – Associação dos Pais e Alunos Especiais (Apae), Instituto Londrinense das Crianças Excepcionais (Ilece), Escola Profissionalizante e Social do Menor (Epesmel), Sindicato Nacional dos Aposentados, entre outras – e 14 escolas e centros municipais de educação. Os alunos da rede municipal fizeram um desfile temático sobre os 80 anos de Londrina, em que as escolas foram divididas em décadas para retratar os principais fatos históricos que marcaram o desenvolvimento da cidade. Como não curtir os pequenos da Carlos Dietz usando camisas do Londrina e tocas de tubarão na cabeça para homenagear o time fundado em 1956?
Guarda-chuva nas mãos, o casal de aposentados João Gizutu e Hiroko Gizutu prestava atenção em tudo. São cinquenta anos de Londrina. O 7 de Setembro é coisa séria para eles. "Gosto muito de ver os alunos desfilando. Na minha época, era obrigatório desfilar no Dia da Independência. Acho que o poder público deveria forçar os alunos das escolas municipais e estaduais a desfilarem sempre. Vimos todo ano, se tivesse uma vez por mês, viríamos também", disse João.
Foi a primeira vez do advogado Vinicius Fernandes. Ele fez questão de levar a filha, Catarina, de 5 anos, que se encantou com as meninas do balé. "Ela acordou querendo vir e no caminho eu vim conversando com ela sobre a importância dessa data. Foi um ato de liberdade para o País, quem tem filho em idade escolar é incitado a refletir e pensar mais nessas coisas", avaliou.
Para quem desfilou, a satisfação em receber os aplausos do público por um trabalho que nem sempre tem o reconhecimento esperado. "A base da saúde pública é o nosso serviço, porque direcionamos os feridos para os hospitais. O desfile é uma forma de mostrar nosso trabalho, que é difícil, mas gratificante porque ajudamos as pessoas", disse o condutor socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Alessandro Leal. O evento cívico foi realizado na pista da Leste-Oeste sentido centro-bairro, entre as ruas São Luís e Mossoró, e terminou por volta das 11 horas.
No livro "Brasil: uma História – a incrível saga de um País", o historiador Eduardo Bueno relata que no dia em que proclamou a Independência Dom Pedro teria tido uma forte diarreia, o que explicaria sua pressa em anunciar a liberdade das garras da colônia portuguesa às margens do riacho onde foi se "aliviar". Mas aí já é outra história.

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