A ioga não é só movimento e atividade corporal, é uma filosofia oriental que estimula uma forma de vida mais saudável, sustentável e consciente, baseada em aspectos como concentração, meditação, disciplina, iluminação e não violência. Mais do que ter um corpo flexível e executar os asanas (posturas) com perfeição, viver a ioga é se conectar a si mesmo e às outras pessoas, ou seja, é uma prática mais interna do que externa.

Em 2014, a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou, por unanimidade, uma resolução proposta pela Índia que estabelece 21 de junho como Dia Internacional da Ioga. Não por coincidência, a data marca o solstício de verão no hemisfério norte, quando há maior incidência de luz e calor. Na última quinta-feira, a data foi comemorada em várias partes do mundo. Em Londrina, a celebração aconteceu neste domingo (24), com a união de instrutores, alunos e simpatizantes em torno de várias atividades, realizadas no ginásio de esportes do Colégio Estadual Vicente Rijo.

A programação começou às 6 horas e seguiu até as 12h30. Entre as atividades, meditação, aulas de ashtanga yoga e kundalini yoga, oficinas e práticas específicas para idosos e crianças. O evento foi organizado pelo coletivo Yoga no Parque, que desde 2013 leva a filosofia oriental para espaços públicos da cidade sem custo algum. Instrutora e membro do coletivo, Isadora Pellegrino explicou que o objetivo é levar informação e desmistificar a ioga, mostrando que a prática pode ser bem mais acessível do que parece. "As pessoas têm muito preconceito. Acham que para praticar ioga tem que ser alongado, vegetariano, magro ou jovem. Mas não é assim. A ioga pode ser feita por qualquer pessoa", garante.

A engenheira agrônoma Sandra Mondragon conheceu a ioga ainda criança por meio dos pais, que eram instrutores. Depois de dez anos afastada da prática, foi o projeto Yoga no Parque que voltou a despertar novamente seu interesse pela filosofia oriental. "A ioga fortalece o corpo, o espírito, dá tranquilidade e acalma a mente", atesta.

Dentre as modalidades de ioga, a hatha-ioga é uma das mais populares, mas há outras, como a ashtanga yoga, onde o aluno realiza uma sequência, no seu próprio ritmo, pautado pela ujjayi, uma respiração específica. "A respiração é que dá o ritmo da sequência e o desenvolvimento do aluno é muito pessoal. Cada um tem seu tempo e seu ritmo. A ashtanga yoga trabalha com a liberação, a purificação do corpo pela respiração e pela transpiração", explica a instrutora Marcela Arantes.

Ela destaca que a proposta da ioga é o autoconhecimento e, independente da modalidade praticada, é possível a cada praticante chegar ao mesmo objetivo. O que muda são os caminhos percorridos para se alcançar a meta. "A prática é sua e você, dentro das suas possibilidades, dentro do seu limite, vai chegar lá."

A professora universitária Cláudia Martinez começou pela hatha-ioga, há cerca de dez anos, e há seis meses tornou-se adepta da ashtanga. "A ashtanga é mais fluida, mais interna do que a hatha-ioga e para mim está sendo bom. Não é força nem vigor, é mais perseverança. São os movimentos e a intensidade junto com a respiração. É bem puxado. Desde que comecei, já pensei em desistir três vezes", confessa.

Atleta master há muitos anos, Walter Ney descobriu na ioga, há seis meses, um poderoso complemento ao atletismo. "Treino atletismo duas horas por dia e tenho praticado a ioga quase diariamente. São exercícios de flexibilidade e alongamento que são muito bons para o atleta. Acaba sendo relaxante, além de trabalhar outros grupos musculares que o atletismo não trabalha. Como no atletismo participo de provas explosivas, preciso manter o corpo forte e a ioga ajuda, inclusive, a evitar lesões. E ainda trabalha a respiração e a meditação."

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