Londrinense vai comandar Secretaria de Alfabetização
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quinta-feira, 03 de janeiro de 2019
Vitor Struck<br>Reportagem local 
Um dos coordenadores da escola de educação infantil de Londrina Mundo do Balão Mágico, Carlos Francisco de Paula Nadalim, deve ser o próximo secretário de alfabetização do Ministério da Educação. A informação foi veiculada pelo jornalista Paulo Saldaña e confirmada por pessoas ligadas ao futuro ministro da educação, Ricardo Vélez Rodriguez, na tarde desta quarta-feira (2).
O futuro secretário de Bolsonaro é mestre em educação pela Universidade Estadual de Londrina e, neste ano, recebeu o prêmio Darcy Ribeiro de Educação, após ter sido indicado pelo deputado federal Diego Garcia (PODE), da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. A reportagem entrou em contato com Nadalim que estava em Brasília, entretanto, como ainda não foi nomeado oficialmente, preferiu não dar entrevistas.
Depois de anunciar durante a posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que o Ministério da Educação vai ter uma subsecretaria específica para auxiliar na implementação de um modelo escolar cívico-militar, Vélez Rodriguez deve, também, extinguir a Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão). No lugar deve ser criada a subpasta que será chefiada por Nadalim, que deve se chamar Modalidades Especializadas.
A Secadi foi criada em 2004 e, de acordo com a própria descrição no site do Ministério, sua função era implementar políticas para a alfabetização e educação de jovens e adultos, fortalecer a educação do campo e educação escolar indígena, além de áreas remanescentes de quilombos.
Nas redes sociais Nadalim é bastante atuante, sendo responsável por produzir vídeos com dicas de educação infantil para pais e professores, sugestões de jogos pedagógicos, além de entrevistas com educadores e até com o astrólogo e escritor Olavo de Carvalho, para um canal no Youtube. Em um de seus vídeos mais assistidos, de 2015, critica o chamado "método global", onde a estratégia de alfabetização consiste em apresentar ao aluno imagens seguidas de suas respectivas palavras, de forma paralela. "É uma falsa impressão de que eles (as crianças) estão apreendendo, é uma grande cilada", afirma no vídeo que conta com 160 mil visualizações.
Em outro Nadalim critica brevemente o conceito de alfabetização e letramento, presente na nova Base Nacional Comum Curricular, e defendido amplamente pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais, Magda Soares, que também tem trechos de entrevistas incluídos no vídeo. De acordo com Soares, "letramento" consiste na aprendizagem das funções sociais da língua escrita, o que "flerta" com as contribuições à pedagogia de Paulo Freire, autor de "Pedagogia do Oprimido", entre outros títulos.
No vídeo Nadalim diz respeitar a opinião da pesquisadora e até concordar com alguns pontos, entretanto não aborda com a mesma ênfase demandas antigas como a evasão escolar e até os baixos salários dos professores. E dispara. "Mas o fato, Dra. Magda, é o seguinte, é que as nossas crianças não estão apreendendo nem isso, nem o básico. Se elas tropeçam num encontro consonantal, por exemplo, não têm um vocabulário razoável, se não conseguem fundir fonemas para compor sílabas, palavras, como vão compreender e interpretar textos", questiona.
Em outro trecho Nadalim critica o pensamento de Paulo Freire, cuja principal bandeira, de maneira geral, foi defender que a alfabetização deve estar atrelada ao contexto social do indivíduo, uma vez que seriam as barreiras da linguagem o principal facilitador da dominação das elites sobre as classes excluídas. Nadalim diz ser um grande defensor do método silábico, onde utiliza amplamente a música como ferramenta de alfabetização, além do homescholling (educação em casa). Neste ano lançou um livro ao lado do músico Estevão Marques, conhecido pelo trabalho com os grupos Trii e Barbatuques.
Neste ano o MEC divulgou os dados obtidos no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2017 que é composto pela taxa de rendimento escolar as médias de desempenho nos exames aplicados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira). De acordo com o estudo sete em cada dez estudantes deixam o ensino médio sem apreender o que é considerado básico da língua portuguesa e da matemática. O ensino médio concentra os piores resultados, demonstrando estagnação nos índices desde 2009.


