Londrinense providencia 'QG' para manifestantes
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sábado, 14 de fevereiro de 2015
Mariana Franco Ramos <br> Reportagem Local 
Curitiba - A ocupação de docentes e integrantes de movimentos sociais na Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba, despertou também a solidariedade de pessoas que, mesmo longe do plenário, acompanhavam a situação. O londrinense Walter Ferreira, que há quatro anos mora na Capital, abriu as portas de seu restaurante, O Forninho, no bairro Cabral, e de sua casa, localizada a poucas quadras dali, para receber os manifestantes. Segundo ele, pelo menos 20 professores, todos vindos de Londrina, passaram pelos dois lugares entre terça e quinta-feira.
O irmão de Ferreira leciona no Colégio Estadual Professor Paulo Freire, mas como também dá aulas em uma escola particular de Londrina, não pôde participar dos protestos em frente à AL e ao Palácio Iguaçu. "Ele me ligou e disse que vários amigos viriam e que estavam precisando de um lugar para tomar banho e comer. Dormir não, porque ficavam na própria Assembleia", contou. Em greve há cinco dias, os educadores reclamam do atraso no pagamento do 1/3 de férias, da rescisão dos contratos dos trabalhadores temporários, os chamados PSS, e de outros benefícios que, dizem, foram negados à categoria.
As refeições aconteciam no próprio restaurante, enquanto na residência de Ferreira os manifestantes usavam o banheiro e emprestavam cobertores. "As pessoas chegavam aqui cansadas, sujas, esfomeadas. Só queriam saber de comer feijão, arroz e ovo. Era um pessoal com sangue nos olhos, clamando por vitória. Foi sensacional ter podido ajudar", relatou. Uma placa fixada ao lado do caixa, com os dizeres "nós apoiamos a luta dos professores" e as hashtags #eutonaluta e #eutonagreve, dava ao Forninho um status de "QG".
Além do irmão de Ferreira, são educadores a mãe, primos e tios, todos moradores de Londrina. "Os professores estão cada vez mais desvalorizados e têm o direito de lutar. Precisava ver a gratidão deles. Acho que o que fizemos foi também pelo futuro do meu filho, Nathan, de quatro meses. Isso fora os elogios que recebemos por causa da placa. Muita gente passou por aqui e apoiou o movimento dos professores", afirmou o dono do restaurante.


