Londrinense de coração comandou efetivo de heróis
Maringá - A cautela militar sempre escolhe o sigilo como companheiro nas missões. Uma equipe de reportagem numa base da Aeronaútica não tem acesso a boa parte das informações. O risco de retaliação justifica um protoloco rígido para os visitantes. Há tendas onde o acesso é negado, os militares não podem ser fotografados, os nomes bordados na farda são retirados e muitas informações técnicas são sonegadas.
Pouca coisa é evidente no mundo que cerca máquinas de guerra poderosas como o Super Tucano, o caça de fabricação brasileira que conquistou a admiração de forças armadas no mundo inteiro. Mesmo os pilotos dos caças, as estrelas da tropa, são obrigados a conviver com a dúvida. Quando são convocados e decolam com equipamentos antigravidade presos ao corpo, não sabem exatamente para onde e nem o que vão fazer.
Foi sob as ordens de um paranaense nascido em Assaí mas criado em Londrina que a base desdobrada de Maringá serviu a Operação Ágata 5. Prefeito de Aeronaútica na Base Aérea de Santa Maria (RS), o major Claudio Anelli, 55 anos de idade e 36 de Aeronaútica, diz que encarou com serenidade a missão. ''Todo oficial está preparado para comandar'', afirma o ex-aluno dos colégios Hugo Simas e Marcelino Champagnat, que viveu sua infância e adolescência no Jardim Shangri-lá B.
Mecânico respeitado na Aeronaútica, sob seus cuidados em Santa Maria estão sete helicópteros bimotores H60 Black Hawk, aparelho de busca e salvamento e ataque ao solo que pode levar até 32 soldados. Anelli admite que teve forte influência do pai, o caminhoneiro Valentim, para descobrir o dom pela mecânica. Só um dos seus três filhos, contudo, seguiu a carreira militar. E no Exército. Cursa a Academia Militar das Agulhas Negras.
O major Anelli é só uma entre tantas histórias de vida que passaram pela base aérea nessas duas semanas. Sob o seu comando, havia outros verdadeiros heróis, segundo a própria definição de quase todos que participaram da missão.
No currículo deles, além da participação na ocupação e pacificação do Complexo do Alemão no subúrbio carioca em 2010, há trabalhos de ajuda humanitária de grande repercussão. Alguns serviram em uma base montada na região serrana do Rio de Janeiro, arrasada por fortes chuvas no verão de 2011. Outros ajudaram a retirar vítimas dos escombros após o terremoto do Haiti em 2010. Também ajudaram nas enchentes de Santa Catarina na Bolívia, em 2008. Também trabalharam em dois acidentes aéreos graves ocorridos na década passada. No meio do Oceano Atlântico, buscaram corpos do acidente com o voo Rio-Paris da Air France, em 2009. Na Floresta Amazônica, resgataram os restos mortais de vítimas da colisão entre um avião da Gol e um jato executivo, em 2006.(L.F.M.)





