Londrinense abusa dos laxantes
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domingo, 08 de março de 2009
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Londrina- O assunto pode não ser considerado o mais adequado para discutir em família, na roda de amigos, ou nos horários das refeições, apesar de natural e corriqueiro. Mas, conhecer e ficar atento para o próprio hábito intestinal é cuidar da saúde, e fundamental para prevenir doenças, como a incontinência anal, a síndrome do intestino irritável, e até câncer. O alerta é da enfermeira Rita Domansky, do Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que concluiu uma pesquisa inédita sobre os hábitos intestinais da população londrinense.
Uma das constatações da pesquisa é o uso abusivo de laxantes, sejam medicamentos, chás ou composto de ervas, principalmente entre os mais jovens. E o que é pior: para outros fins, como emagrecer e cuidar da pele. Isso se torna mais grave, segundo ela, quando os resultados do estudo apontam que 87% da população possuem hábitos intestinais considerados normais e por isso não precisariam desse tipo de medicamento, que altera o funcionamento do intestino.
Mas o que é considerado normal? Para avaliar isso, segundo ela, é preciso levar em conta frequência, consistência das fezes e sensação de esvaziamento do intestino, entre outros fatores (ver quadro). ''As pessoas cultuam a idéia de que o normal é evacuar uma vez ao dia. Mas, não. Pode ser três vezes por dia, ou três vezes por semana'', ressalta. A pesquisa apontou, por exemplo, que, entre os londrinenses, apenas 53% evacuam uma vez ao dia.
Em relação à consistência, deve ser macia o suficiente para que não seja preciso fazer esforço, além daquele inicial. ''A pessoa não tem que ficar fazendo força e, ao final, a sensação deve ser a de que foi eliminado tudo'', explica.
Para saber do próprio hábito, se é normal ou não, é preciso observação, coisa que poucas pessoas fazem. ''Apenas 42% faz isso rotineiramente'', afirma. Mas é essa observação e conhecimento do próprio corpo que permite constatar rápido alterações de consistência, de regularidade, presença de dor e de sangue, indicativos de doenças mais sérias. ''No caso do câncer de reto, por exemplo, quando há sangramento, o tumor já está grande, mas bem antes disso já houve mudança na espessura das fezes, e dor e desconforto para evacuar. Se a pessoa não fez nada de diferente, não mudou hábitos alimentares e de vida e tem mudanças no hábito intestinal, é preciso monitorar'', alerta.
O próprio uso abusivo de laxantes mostra o quanto a pessoa não se conhece, pois além do organismo poder ter um trânsito intestinal mais lento, alguns fatores como estresse, período menstrual nas mulheres e o envelhecimento, colaboram para mudanças no hábito intestinal.
A pesquisa apontou que 16% dos entrevistados fazem uso de laxantes, metade deles na faixa etária dos 21 aos 30 anos. Um dos problemas do uso crônico desse tipo de produto é que o intestino passa a funcionar só com ele, e a pessoa pode chegar a ter incontinência anal (perda de fezes). Quanto ao suposto emagrecimento e melhora da pele, a enfermeira garante: ''É tabu. Não é com laxante que se perde peso ou se cuida da pele''.


