Imagem ilustrativa da imagem Londrina teve dez casos de feminicídio nos últimos três anos
| Foto: Gustavo Carneiro/24-6-2018



De acordo com a Delegacia da Mulher, Londrina teve dez casos de feminicídio confirmados nos últimos três anos. Os números são relativos às mortes com os autores confirmados. Foram três casos em 2015, dois em 2016 e dois no ano passado. No sexto mês de 2018, o município já confirmou três casos de feminicídio. No entanto, nem todas agressões à mulher são apuradas pela Delegacia da Mulher. Casos de tentativas e mortes sem a comprovação do autor do crime são atendidos pela Delegacia de Homicídios.

A Polícia Civil investiga a morte de Olga Aparecida dos Santos, 51, registrada na tarde de domingo (24), após queda do quarto andar de edifício residencial no centro de Londrina, como crime de feminicídio e de fraude processual. O marido da vítima, Luiz Garcia, 65, e três familiares dele (irmã, irmão e sobrinho) foram presos em flagrante e seguiam detidos à disposição da Justiça.

"Nossa parte é concluir as investigações no tempo mais breve possível. Os indícios são fortes, envolvendo todas as pessoas", afirmou a delegada titular Geanne Aparecida dos Santos, da Delegacia da Mulher em Londrina. Segundo ela, ainda não é possível individualizar a possível participação de cada suspeito no crime. No entanto, aponta, devido à debilidade física do marido, a delegada acredita que ele não teria como ter praticado o crime sozinho. "Com isso, a gente conclui que houve a participação de outras pessoas", disse.

Ao ser encontrada na entrada do estacionamento do prédio, a vítima, segundo a polícia, tinha diversas perfurações de faca pelo corpo, sendo uma no antebraço, cinco no abdômen e uma na perna. Santos adianta a possibilidade de alteração da cena do crime, já que a faca utilizada não estava no local e todos os envolvidos negam participação. "Eles alegam que não visualizaram as agressões, não sabem como foram produzidas e nem viram a queda da vítima, embora todos estivessem compartilhando o mesmo espaço físico, em um apartamento relativamente pequeno", acrescenta.

O casal não tem filhos e, em depoimento à polícia, o esposo relatou que não agrediu a vítima, somente tentou tomar a faca que estava em sua posse e que não viu a queda porque estava no quarto.

De acordo com a polícia, o marido estava com a camiseta suja de sangue e materiais de limpeza teriam sido utilizados para supostamente encobertar marcas de sangue na residência. O chefe do Instituto de Instituto de Criminalística, Luciano Bucharles, disse que, por enquanto, os peritos não comentarão a investigação.

A reportagem da FOLHA esteve no local logo após o ocorrido na noite de domingo (24) e conversou com moradores do prédio. Eles preferiram não se identificar, mas contaram que houve uma discussão entre o casal, fato que levou inclusive a alguns vizinhos e a porteira a intervirem na briga. "A vítima também pediu para uma vizinha guardar facas, pois ela estava tentando evitar um mal maior que infelizmente acabou acontecendo", ressaltou a delegada.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) prestou atendimento ao marido, que tinha vários ferimentos nos braços. Ele já foi preso anteriormente por dívida de pensão alimentícia. "Não há nenhum boletim de ocorrência registrado pela vítima na Delegacia da Mulher, mas é fato que estamos tratando como um caso de feminicídio, haja vista a condição de gênero feminino e o vínculo que ela tinha com o investigado", pontuou a delegada.

Os irmãos de Luiz, Amaury e Antônia Helena, e o sobrinho Cléverton também foram autuados e encaminhados para diferentes unidades policiais na cidade. Os advogados Marcelo Gaya, que defende Amaury e Cléverton, e Carlos Lamerato, responsável pela defesa de Luiz e Antônia Helena, afirmam que ainda não tiveram acesso à perícia, mas que os Garcia "não tiveram participação nem coautoria neste episódio" e que eles estavam no apartamento "para auxiliar" em meio à briga do casal.

Os advogados ainda afirmaram que estão tomando providências para pedir liberdade para os réus. Para a defesa, tais ferimentos podem ter sidos causados por cirurgia bariátrica de Olga na última quinta-feira (21). "Estamos tentando contato com o médico que fez a cirurgia de dona Olga dias antes da fatalidade", afirmou Lamerato. "Foi uma videolaparoscopia com vários furos, não sabemos ao certo se com a queda essas lesões parecem ser feitas por um elemento cortante", expôs. A audiência de custódia do caso será nesta terça-feira (26).

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