EDUCAÇÃO -

Londrina terá escola cívico-militar a partir deste ano

Projeto piloto do Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Defesa será implantado em escola da zona norte

Micaela Orikasa - Grupo Folha
Micaela Orikasa - Grupo Folha

Colégio Estadual Adélia Dionísia Barbosa fica no conjunto Parigot de Souza
Colégio Estadual Adélia Dionísia Barbosa fica no conjunto Parigot de Souza | Gustavo Carneiro - Grupo Folha
 


O Colégio Estadual Adélia Dionísia Barbosa, que fica no conjunto Parigot de Souza, na zona norte de Londrina, vai ser uma das quatro instituições de ensino no Paraná, que serão estruturadas dentro do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares. 


A chefe do NRE (Núcleo Regional de Educação) de Londrina, Jéssica Elizabeth Gonçalves Pieri, disse que o modelo deverá ser implantado ainda neste primeiro semestre de 2020. As demais unidades são em Curitiba (Colégio Estadual Beatriz Faria Ansay), em Foz do Iguaçu (Tancredo Neves) e em Colombo (Vinícius de Moraes).




O programa das escolas cívico-militares é uma iniciativa do Ministério da Educação junto com o Ministério da Defesa e em parceria com os governos estaduais, cujo modelo de gestão nas áreas educacional, didático-pedagógica e administrativa contará com a participação do corpo docente da escola e apoio dos militares.  


De acordo com Pieri, a principal diferença entre esse modelo para os colégios militares é a gestão. “No colégio militar, a direção é da Polícia Militar, já nessa nova proposta, o gestor é integrante do corpo docente da Secretaria de Estado de Educação", afirmou.


Participarão da iniciativa militares da reserva das Forças Armadas, que serão chamados pelo Ministério da Defesa. Policiais e Bombeiros militares poderão atuar, caso seja assim definido pelos governos estaduais e do Distrito Federal. No caso de Londrina, cerca de 18 profissionais, incluindo psicólogos, deverão atuar.


A matriz curricular terá uma ampliação, passando para mil horas-aula por ano letivo (200 horas a mais) e contemplará ainda aulas semanais de civismo e cidadania. Outra diferença apontada por Pieri é que no colégio militar, as crianças participam de um processo seletivo para ingressar, “já na cívico-militar, o processo será de matrícula regular”, completa. 


O investimento extra-anual por escola (de até mil alunos) é de cerca de R$ 1 milhão, financiado pelo MEC com contrapartida financeira do Estado para cobrir os demais gastos regulares. A proposta do governo federal é implantar 216 escolas cívico-militares em todo o País, até 2023, sendo 54 por ano. 


De acordo com a publicação oficial, o objetivo é “de melhorar o processo de ensino-aprendizagem nas escolas públicas e se baseia no alto nível dos colégios militares do Exército, das Polícias e dos Corpos de Bombeiros Militares.”  O texto cita ainda que os militares atuarão no apoio à gestão escolar e à gestão educacional, enquanto professores e demais profissionais da educação continuarão responsáveis pelo trabalho didático-pedagógico. 


O “modelo de excelência” descrito pelo governo federal vai abranger na área pedagógica, as atividades de supervisão escolar e psicopedagogia preservando as atribuições exclusivas dos docentes. No aspecto educacional, pretende fortalecer os valores humanos, éticos e morais, incentivar a formação integral como cidadão e promover a sensação de pertencimento no ambiente escolar, e no âmbito administrativo, busca aprimorar a infraestrutura e a organização da escola para aprimorar a utilização de recursos disponíveis na unidade escolar. 


Questionada sobre a escolha do Colégio Adélia Dionísia Barbosa, a chefe do NRE respondeu que os critérios envolvem a situação de vulnerabilidade social. “Consideramos a região onde a escola está presente para dar um auxílio maior, que atende toda a comunidade escolar”, esclareceu.


PREOCUPAÇÃO

Para o professor Márcio André Ribeiro, presidente da APP-Sindicato Londrina, faltou transparência no modo pelo qual a escola cívico-militar vem sendo instituída no município. A entidade chegou a redigir um texto afirmando que está preocupada a respeito do novo modelo.  


“Gostaríamos de saber detalhes sobre esse novo modelo porque a maneira como isso tem sido implantado tem nos preocupado. Tudo aconteceu sem debate algum, nem com a comunidade escolar. Uma escola que tem um modelo pedagógico rígido para uma determinada comunidade. Como isso vai funcionar?”, comentou.


Ribeiro ainda não conversou com o Núcleo e adianta que o sindicato estará sempre do lado da comunidade escolar. “Estaremos alertas para qualquer questão que possa prejudicar aquela escola. Estaremos vigilantes sobre qualquer situação que não atenda os alunos no melhor processo educacional possível”, destacou.


APROVAÇÃO

A Secretaria Estadual de Educação e do Esporte defendeu a escolha das instituições, que segundo a pasta, foi feita após "sondagem junto ao Núcleos Regionais de Educação e comunidade escolar, além de audiência pública com pais e responsáveis, em que a adesão das escolas foi aprovada por ampla maioria. O número de escolas contempladas nesse primeiro momento foi estabelecido pelo MEC.


A secretaria informou que a implementação está na fase de planejamento, com a realização de reuniões técnicas com diretores. Para os próximos dias estão programadas as semanas pedagógicas, quando os professores e demais servidores deverão receber orientações e discutir as diretrizes dos modelos. "Há ainda a definição dos uniformes escolares e a realização de ajustes, se necessário, na estrutura dos prédios. Em março, há um segundo momento de capacitação de militares, professores e demais profissionais", ressaltou a nota.


A ideia é que até o fim do ano o Paraná tenha um modelo próprio de escolas cívico-militares, que servirá de base para uma futura ampliação. 



RECONHECIMENTO FACIAL

Outro projeto piloto que deve envolver alunos da rede pública estadual de ensino é o de reconhecimento facial nas escolas. A Seed (Secretaria de Estado da Educação e do Esporte) estuda implantar a tecnologia ainda neste ano, através de um acordo firmado com a Microsoft Brasil.  


“Ao entrar na escola, o sistema irá reconhecer a face do aluno. Isso ajuda na conferência, nos registros, no ganho de tempo porque o professor não precisará fazer chamada e também na segurança”, comentou Jéssica Pieri, chefe do NRE de Londrina. Na cidade, a expectativa é de que três instituições de ensino contem com a tecnologia nesta fase inicial.




De acordo com ela, o governo estadual ainda analisa como essa tecnologia será empregada e quais escolas seriam as primeiras a receberem tal recurso. Atualmente, a rede pública estadual de ensino tem pouco mais de um milhão de alunos, que iniciarão o ano letivo de 2020 no dia cinco de fevereiro. (Colaborou Pedro Marconi)

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