O secretário municipal de Saúde de Londrina, Silvio Luis Fernandes, admitiu ontem o risco de uma epidemia de febre amarela urbana na região de Londrina.
‘‘As condições para que uma epidemia se dê na região existem’’, alertou. A preocupação está ligada à alta infestação do mosquito Aedes aegypti no município, que atualmente está em 8% na média. Além de transmitir a dengue, o mosquito também é o responsável pela transmissão da febre amarela do tipo urbana. O vetor da outra variação da doença, a febre amarela silvestre, é o mosquito haemogogos, que habita florestas, e recebe o vírus principalmente dos macacos.
Um estudo realizado pelo Ministério da Saúde (MS) e divulgado na edição de ontem da Folha incluiu a região norte do Estado como área de risco para a febre amarela do tipo silvestre, juntamente com os estados da região norte, Mato Grosso e regiões como o Norte e Centro-Oeste de Minas Gerais e Oeste da Bahia.
Fernandes disse que a meta é imunizar toda a população que ainda não foi vacinada. Ele apelou para que todas as pessoas acima de 1 ano de idade ou aquelas que tenham sido vacinadas há mais de 10 anos para que procurem o centro de saúde mais próximo para serem imunizadas. A dose é única e gratuita. ‘‘Quem foi vacinado há menos de 10 anos não precisa se vacinar novamente’’, explicou Fernandes. A vacinação contra a febre amarela foi implantada como rotina nos postos de saúde de todo o País a partir de 1999.
Os sintomas da febre amarela são febre moderada, dores pelo corpo e amarelidão da pele. É uma doença grave que pode, inclusive, levar à morte se não for tratada à tempo. Ela pode provocar danos nos rins, fígado e coração.
A campanha de combate à febre amarela começou há duas semanas e a intenção é vacinar 242 mil pessoas em Londrina. Mas, até o momento, do total de pessoas que precisam da vacina contra a doença, somente 72 mil pessoas foram imunizadas. ‘‘Falta uma sensibilização maior por parte das pessoas’’, reclamou o secretário. A maior dificuldade é vacinar o adulto jovem.
Na área de abrangência da 17ª Regional de Saúde, em Londrina, com 20 municípios, a cobertura vacinal atingiu até o momento apenas 50% da meta de 354 mil imunizações. Segundo a diretora-regional de Saúde, Rosilente Aparecida Machado, embora a infestação do mosquito seja alta na região, o vírus da febre amarela não circula na região. ‘‘Mas existe o risco de alguém vir contaminado de outras regiões, como do Mato Grosso ou de Minas Gerais por exemplo, e ser picado pelo mosquito aqui e o vírus poderá ser retransmitido para outras pessoas’’, frisou Rosilene. Ela destacou que em Minas Gerais, do total de casos da doença, 10% são variantes mais graves da doença. Dentre esses casos, a mortalidade chega a 80%.
O diretor de Vigilância e Pesquisa da Secretaria de Saúde do Estado, Nereu Henrique Mansano, disse que nunca houve registro de nenhum caso de febre amarela urbana no Paraná. Ele pregou que o estudo do MS teria se baseado em estudos das últimas cinco décadas. ‘‘A situação está sob controle em relação à variação silvestre’’, disse. Segundo o diretor, 4,1 milhões de pessoas já foram vacinadas no Estado e a meta é atingir 5,5 milhões. Mansano afirmou que a cobertura vacinal no Paraná é de 70%.

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