Londrina - Noventa e cinco pessoas foram assassinadas em Londrina de 1º de janeiro até o início da noite de ontem. A cidade registra, portanto, um homicídio a cada três dias em 2012. O índice já é superior ao do ano passado, quando ocorreram 93 assassinatos.
O número só não é maior porque nessa conta não entram outros tipos de crime. De acordo com os dados oficiais, três latrocínios (roubos seguidos de morte) foram registrados no ano. Não estão contabilizadas ainda 12 mortes em supostos confrontos entre policiais e bandidos. Também não há registro das vítimas de violência que são socorridas, mas morrem em hospitais.
O número de vítimas de homicídio subiu para 95 na noite de domingo, quando dois homens foram mortos, segundo a PM, ao tentar assaltar a casa de dois policiais militares, no Residencial Porto Seguro (Zona Norte).
Um trio de assaltantes abordou o morador, que é sargento da reserva, no portão quando ele se preparava para sair de carro. Ao invadirem a casa, se depararam com o filho, que é soldado e vestia uma camiseta da PM. Houve luta corporal e um disparo foi efetuado. Em seguida, o sargento e o filho sacaram de suas armas e balearam dois dos assaltantes. O soldado sofreu um ferimento no olho, com deslocamento de retina, e foi encaminhado ao hospital.
Marcos Ferreira de Sales, de 23 anos, que portava um documento falso na hora do crime, e José Luis Marcondes Júnior, 24, morreram antes da chegada dos socorristas do Siate. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. Um terceiro assaltante conseguiu fugir. Ele usava um rádio transmissor HT, sintonizado na frequência usada pela PM.
''Pelos primeiros levantamentos feitos no local, o primeiro tiro teria saído de uma das armas dos bandidos, mas a perícia vai esclarecer toda a situação'', afirmou o major Hilberaldi Correa de Lima, comandante da 4 Companhia Independente da PM.
Foram apreendidas as duas armas utilizadas pelos assaltantes, um revólver calibre 38 e outro 32, e ainda a pistola .40, do soldado. Segundo a PM, o sargento tem porte de arma e a pistola dele é legalizada.
''O que aconteceu será investigado por um inquérito na Polícia Civil como todo crime em que há morte. Só será instaurado um inquérito na Polícia Militar porque foi utilizada uma arma da corporação'', explicou o comandante.
Correa descartou qualquer hipótese do crime estar relacionado com as recentes mortes em confrontos com a polícia. ''Foi um roubo de ocasião. Os ladrões passavam pelo local quando se depararam com a vítima saindo de casa'', explicou.
O delegado operacional da 10 Subdivisão Policial (SDP), Edgar Soriani, que responde interinamente pela Delegacia de Homicídios, acredita que os policiais agiram em legítima defesa. ''Já recebi os primeiros documentos do assalto e pelas informações contidas o caso realmente é de legítima defesa. O inquérito deve ser arquivado.''
Cambé
Alexssandro Gonçalves Dantas, 34 anos, foi morto no início da manhã de ontem na Rua José Delalibera, no Jardim Ana Rosa, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). O homem foi baleado dentro de um Ka, com placas de Cambé. O veículo permaneceu com o motor ligado e as luzes acesas até a chegada da PM. Apenas um projétil deflagrado foi encontrado dentro do carro, mas a polícia acredita que Dantas foi morto com mais de um tiro.

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