Londrina tem mobilização e resistência no Dia Internacional da Mulher
Integrantes de coletivos feministas e entidades representativas promoveram roda de conversa e ato público na zona norte contra a desigualdade de gênero
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de março de 2020
Integrantes de coletivos feministas e entidades representativas promoveram roda de conversa e ato público na zona norte contra a desigualdade de gênero
Simoni Saris - Grupo Folha 
Mais do que um dia para se distribuir flores e bombons, o Dia Internacional da Mulher deve ser lembrado como uma data de resistência e luta pela manutenção dos direitos já adquiridos, pela conquista de novos direitos, por melhores condições de vida, por mais respeito e maior visibilidade feminina. Neste domingo (8), representantes de coletivos e de outras entidades representativas e membros da comunidade reuniram-se na Vila Cultural Flapt!, na zona norte de Londrina, para um café da manhã e uma roda de conversa seguidos de um ato de conscientização sobre a importância da data.

Com o tema “Não retirem nossos direitos”, a roda de conversa discutiu sobre questões ligadas à educação, saúde, trabalho e políticas públicas que possam resultar em uma sociedade mais igualitária entre os gêneros. “Nossa luta é contra o machismo e a sociedade opressora contra as mulheres, seja a mulher trans, a mulher bissexual, a lésbica, hetero, negra, indígena ou com necessidades especiais. Fazer esse trabalho de desconstrução e construção ao mesmo tempo é algo muito essencial para a gente”, disse Poliana Santos, membro da Frente Feminista, coletivo que organizou o evento.
Também integrante da Frente Feminista, Andréia Cruz lembrou que apesar das mulheres constituírem mais da metade da população feminina e estar presente em todos os espaços da sociedade, elas ainda têm dificuldade de chegar a postos de comando e há uma sub-representação política. O número de mulheres em espaços de decisão não é proporcional aos dados demográficos. “Por mais que a mulher não tenha nenhuma aproximação com discussões feministas, a mulher sabe como é a vivência. Quando a gente fala desses pontos, encontra uma ressonância nas mulheres de várias origens, etnias, realidades econômicas e idades. São questões comuns a todas nós”, enfatizou Cruz.
Em mais de uma hora de discussões, foram levantadas questões relacionadas às mais diversas áreas, como direito, educação, trabalho e doméstica, sempre ressaltando a importância da conscientização pela extensão dos direitos e da luta contra todos os tipos de violência, especialmente o feminicídio, e também contra o machismo, o preconceito, a misoginia e o retrocesso. O objetivo é buscar a união de mulheres e nelas despertar a consciência de classe.
Militante da Marcha Mundial das Mulheres, Vani Espírito Santo defende que a luta das mulheres não passa apenas pela manutenção e conquista de novos direitos específicos para elas, mas deve encampar a retirada de direitos que afeta toda a sociedade. “Enquanto mulheres precisamos ser resistência a toda forma de opressão. Hoje, no Brasil, estamos vendo a destruição de políticas públicas, na saúde, na educação, na assistência social. A mulher precisa estar à frente dessas discussões. A destruição das políticas públicas atinge toda a população, mas a mulher é que está na linha de frente.”

“É importante estarmos aqui para nos fortalecermos e entendermos mais ainda o que é resistência. Precisamos de direitos garantidos, não de flores. Primeiro nossos direitos, depois as flores. (A roda de conversa) é fundamental para a gente não perder o foco da luta”, comentou a assistente social Vânia Lúcia da Silva, integrante do Coletivo Marielle Franco e moradora do Residencial Flores do Campo, uma área de ocupação na zona norte de Londrina.
Mulheres na feira
No final da manhã, as participantes da mobilização seguiram para a Feira do Cincão onde realizaram um ato unificado pela democracia e pela defesa dos direitos dos cidadãos. As manifestantes receberam incentivos e palavras de apoio, como do mecânico Carlos da Silva, que considerou necessário o ato. “As mulheres têm mesmo que brigar por mais direitos. Elas ainda não são respeitadas na sociedade como deveriam ser.”
Mas protestos vindos de outros frequentadores da feira, incluindo mulheres, mostram que ainda há muito a se percorrer na luta contra o machismo e o preconceito. “Essa mulherada fica aí, gritando. É tudo balela isso o que elas falam. É tudo da boca para fora”, disse uma senhora que não quis se identificar.


