Londrina - As três unidades do sistema penitenciário de Londrina estão com deficit de 30% de profissionais. A revelação foi feita ontem pelo diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) de Londrina, Adilson Moura, durante solenidade que comemorou o Dia Estadual do Agente Penitenciário. ''O número aumenta para 50% se considerarmos as outras duas unidades, o Creslon (antigo 2º DP) e o Patronato Penitenciário. O problema é gritante.''
O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária preconiza um agente para cada cinco presos dentro dos presídios a cada turno, o que não ocorre hoje. A FOLHA apurou que durante alguns períodos do dia ficam menos de 20 agentes nos presídios.
De acordo com o Sindarspen, atuam hoje na cidade 380 profissionais. O grupo está dividido nas duas unidades da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), Casa de Custódia (CCL), Centro de Ressocialização (Creslon) e o Patronato Penitenciário. O número é semelhante ao do início da década passada, quando houve a inauguração do Centro de Detenção de Londrina (CDR), atual PEL II.
As três unidades prisionais funcionam acima da capacidade. Juntas, abrigam hoje 1.920 presos, mas a capacidade é para 1.754. ''O problema é que houve um aumento expressivo do número de presos dentro das unidades e não houve a mesma reposição de profissionais'', lamentou.
O deficit, segundo ele, gera acúmulo de serviço, desvio de função e insegurança. Mês passado um agente de 32 anos foi feito refém na CCL. A rebelião durou seis horas e, um mês depois, o profissional continua afastado dos serviços por problemas de saúde.
''Há falta de agentes penitenciários, médicos, psicólogos e até auxiliares de serviço geral. A falta desses profissionais arrebenta com o dia a dia do agente, torna o nosso trabalho mais difícil porque o preso descarrega a raiva desse sistema caótico no agente, que é o profissional com quem ele tem mais contato'', explicou Moura.
Problemas apontados pelo sindicalista foram lembrados durante a solenidade ocorrida na PEL I. No evento foi reforçado o papel do agente penitenciário no processo de regeneração do detento. ''Temos um compromisso importante de ressocializar o preso na tentativa de reinseri-lo na sociedade, é um trabalho muito técnico'', enfatizou o diretor da PEL I, Élcio Basdão.
O dia 13 de novembro marca uma rebelião ocorrida no interior da Penitenciária Central do Paraná, localizada em Piraquara, em 1989. Um agente foi morto durante o motim. Ontem, na PEL I, houve homenagem aos seis agentes assassinados nos últimos seis anos em Londrina.
A Secretaria Estadual de Justiça (Seju) convocou no início deste mês 81 agentes penitenciários e 38 de monitoramento, profissionais que passam a trabalhar nas unidades prisionais de Curitiba, Foz do Iguaçu e Cruzeiro do Oeste. Um concurso aberto prevê a contratação de mais 1 mil agentes, que serão distribuídos para outras unidades do Estado, inclusive as de Londrina.
De acordo com o diretor do Departamento de Execução Penal (Depen-PR), Maurício Kuehne, há ''uma pequena defasagem'' no número de agentes penitenciários em Londrina que, gradativamente, está sendo reposto.
Segundo ele, além dos 423 agentes que já foram colocados nas unidades estaduais neste ano, por meio de um Processo Seletivo Simplificado (PSS), o governador aprovou a contratação de mais 123 que estão sendo chamados.
Kuehne adiantou, ainda, que mais 100 profissionais da área de saúde, aprovados em concursos anteriores, estão sendo convocados até dezembro. (Colaborou Aline Vilalva)

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