Londrina sente reflexos do uso excessivo
Privilegiada com abundância de recursos hídricos, Londrina é a típica cidade que esbanja aquilo que não aprendeu a valorizar. Segundo o diretor metropolitano da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Sérgio Bahls, o consumo médio de água tratada na cidade é de 200 litros/dia por habitante. É bem mais que o consumo planejado pela companhia 120 litros/dia por pessoa e quase o triplo do preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 80 litros/dia por habitante. ''Estes 80 litros seriam perfeitamente suficientes mesmo para um cidadão de classe média. Mas aqui as pessoas não sabem dar valor à água, como aquelas que convivem com a seca no Nordeste'', compara o gerente.
As consequências do desperdício, aliado à degradação ambiental, já começaram a aparecer. Nas últimas semanas, faltou água em vários bairros devido ao aumento excessivo do consumo, motivado pelo intenso calor. O Ribeirão Cafezal, fonte de 40% do abastecimento da cidade, vem pouco a pouco perdendo vazão e já não é aquele que a Sanepar começou a explorar há quase 50 anos. No ano passado, a Sanepar chegou a desligar algumas bombas para produzir menos água que a demanda, porque os reservatórios chegaram a níveis críticos.
''Se hoje estamos construindo reservatórios e perfurando poços no Aquífero Guarani é porque ao longo dos anos a população gastou mais água do que precisava. Para evitar problemas no abastecimento, os nossos investimentos vão ficando cada vez mais caros, e assim também as tarifas'', justifica Bahls. Até 2006, a Sanepar promete ampliar em 30% a capacidade de reservação e aumentar em até 12% o abastecimento com as águas do Guarani.(V.N.)





