Depois da chuva com fortes ventos que atingiu Londrina na tarde de quarta-feira (17), mais uma tempestade provocou danos nesta quinta (18). A prefeitura informou, por meio de balanço parcial, que mais de 153 chamados foram abertos referentes a quedas de árvores, 99 imóveis ficaram destelhados e 35 escolas tiveram danos. As regiões mais afetadas foram as zonas norte e oeste. Cinquenta mil domicílios passaram a quinta-feira sem energia elétrica. No Jardim Bandeirantes (zona oeste), uma árvore atingiu três veículos, mas ninguém ficou ferido. Duas árvores de grande porte também provocaram transtornos na avenida Madre Leônia Milito, na zona sul.

No Jardim Bandeirantes, uma árvore atingiu três veículos, mas ninguém ficou ferido
No Jardim Bandeirantes, uma árvore atingiu três veículos, mas ninguém ficou ferido | Foto: Gustavo Carneiro



A FOLHA percorreu a cidade para verificar os danos. Muitos serviços estavam inoperantes, prejudicando o trânsito e o atendimento na área da saúde. Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim do Sol (zona oeste), no PAI (Pronto Atendimento Infantil) e na Maternidade Lucilla Ballalai (centro), os funcionários ficaram sem sistema e o atendimento foi feito manualmente. A energia da maternidade foi restabelecida no final da tarde desta quinta.

O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, informou que 13 unidades de saúde foram afetadas pelo vendaval. "Foram danos consideráveis. Graças a Deus sem nenhum tipo de ferimento, tanto de pacientes como de servidores", afirmou.

Semáforos estavam desligados por toda cidade. Famílias que tiveram residências destelhadas receberam lonas, que são distribuídas gratuitamente na base do Corpo de Bombeiros, na avenida Saul Elkind, 3.205, e na Defesa Civil, na rua da Canoagem, sem número.

DIA DIFÍCIL
A dona de casa Dienifer Cristine Ferreira, 26, mora na rua Etiópia, no Parque Ouro Verde (zona norte) e relembra do momento do vendaval. "Eu estava com a nenê, começou a ventar um monte e comecei a fazer oração para a árvore não cair, porque ela balançava em direção à casa e em direção à rua. Quando vi, a árvore estava no chão e atingiu a rede elétrica", afirmou. Na manhã de quinta-feira, a casa dela permanecia sem energia.

No Jardim Bandeirantes (zona oeste), o instalador Márcio Fernandes contou que estava sem energia "desde quarta-feira" e criticou o que considerou "descaso da Copel". "Tive que colocar os alimentos da geladeira em um isopor", lamentou. A empresa informou que as equipes fizeram atendimentos por toda a cidade, inclusive com reforço de funcionários de outros municípios.

Um dos bairros mais atingidos foi o Jardim Nova Olinda (zona norte), onde prédios ficaram destelhados. "É triste um temporal desses. Eu estava em casa com um primo e um rapaz que trabalha com ele quando tudo aconteceu. Tentei me esconder debaixo da cama, mas não consegui entrar. Meu primo e o rapaz entraram debaixo da mesa para se proteger", contou a doméstica Aparecida Neves, 63.

No Jardim Barcelona (zona norte), várias casas também ficaram destelhadas e pela manhã uma equipe da Sercomtel Iluminação esteve por lá para fazer reparos. O pedreiro José Ribeiro, 77, afirmou que a casa dele foi afetada pelo vendaval, mas não tanto quanto a dos vizinhos. "Poderia ter acontecido uma tragédia", declarou.

Na Associação Flávia Cristina, que atende alunos com necessidades especiais, a vice-diretora Conceição Aparecida Santos Lopes teve de correr para ajudar os alunos. "A água retornava das galerias pluviais, que não davam conta do fluxo da chuva. A gente colocou os pés em cima da cadeira, mas a água começou a aumentar e as crianças ficaram desesperadas. A gente precisou carregá-las no colo, mas elas são cadeirantes ou usam andadores e não têm equilíbrio", destacou.

Na UPA Centro Oeste, na avenida Leste-Oeste, a auxiliar de produção Sinéia Faria Moraes, 37, relatou que perdeu um dia de trabalho na quarta depois que coletou material para fazer exame de urina e ficou a tarde esperando os resultados. Na manhã desta quinta, retornou ao local, mas devido aos problemas com a chuvarada, não conseguiu pegá-los. "Não posso perder outro dia de trabalho", reclamou.

mockup