Londrina registra quase cem homicídios no ano
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quarta-feira, 09 de agosto de 2017
Paulo Monteiro<br>Grupo FOLHA 
Londrina está prestes a atingir cem assassinatos em 2017. Até o fechamento desta edição, homicídios dolosos, latrocínios (roubos seguidos de morte) e óbitos em unidades de saúde após lesão corporal somaram 98 casos. O número é 40% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o município registrou 70 casos. Esse resultado é fruto de um levantamento elaborado pela reportagem e não inclui, por exemplo, vítimas de acidentes de trânsito.
Até o fechamento desta edição, cinco latrocínios teriam ocorrido na cidade este ano o último na madrugada de segunda-feira (7). O comerciante Fernando José Jora, 27, foi morto a tiros em frente de casa, na rua Caroline Vendrame Vaz Primo, no Jardim Continental (zona norte). A mulher dele, Adriana de Campos, 32, foi atingida por um tiro no peito e internada no Hospital Evangélico.
A Polícia Civil investiga a participação de três pessoas no crime. Dois dos três suspeitos foram presos por agentes da 10ª Subdivisão Policial até o início da noite desta quarta (9).
Janeiro foi o mês mais violento do ano, com 17 mortes. Fevereiro não ficou muito atrás. Em 28 dias, 16 pessoas foram mortas. Julho somou 15. Março e junho, 14 mortes cada. Maio terminou com 12 óbitos. E abril foi o mês "menos sangrento" do ano, com oito mortes. O levantamento aponta ainda que, até 31 de julho, 16 pessoas foram mortas em confrontos com policiais em Londrina. Neste período, dez mulheres e nove adolescentes foram assassinados.
A reportagem solicitou para a Sesp (Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná) os números oficiais de homicídios registrados em Londrina até o último dia de julho. No entanto, por meio de assessoria de imprensa, a pasta informou que a última estatística disponível é referente ao primeiro trimestre do ano e que não tem condições de repassar os números dos sete primeiros meses do ano.

A assessoria informou ainda que as mortes violentas são divulgadas separadamente: homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte e roubo seguido de morte (latrocínio).
Segundo a secretaria, os três primeiros meses somaram 24 homicídios dolosos (9 em janeiro, 8 em fevereiro e 7 em março), um latrocínio e dois casos de lesão corporal seguida de morte. O levantamento da reportagem mostra que Londrina contabilizou, no mesmo período, 47 homicídios, sendo três latrocínios (1 em janeiro e 2 em março).
Um caso emblemático foi o da dona de casa Josiane de Souza, 35. No dia 1° de julho, o corpo dela foi encontrado em uma estrada rural no distrito de São Luiz (zona sul). A vítima foi estrangulada. O suspeito do crime, um ex-companheiro dela, foi preso no dia 13 de julho em Rondônia.
A dona de casa morava com os cinco filhos na zona leste. "A família está despedaçada", revela a aposentada Marilda Peixoto Duarte, 62, tia da vítima. Josiane casou-se duas vezes. Os filhos dela vivem hoje com o primeiro marido dela. "O homem é cadeirante e não tem condições de trabalhar", conta Marilda.
Segundo ela, os filhos sofrem com a ausência de Josiane, que era a principal referência deles. "São três meninas e dois meninos. Todos sentem muitas saudades dela", diz Marilda.
Sobre o relacionamento com o suspeito do homicídio, Marilda ressalta que a sobrinha não deixava transparecer qualquer sofrimento. "Ele viveu com Josiane durante mais de um ano, mas estavam separados havia três meses. A Josiane viveu um inferno desde que ele apareceu. Eu não sabia como era o relacionamento deles, ela não me falava. Só descobri depois da morte. Os filhos contaram que a mãe pedia silêncio, pois não queria me ver sofrendo", relembra.
De acordo com o titular da Delegacia de Homicídios de Londrina, Ricardo Jorge, cerca de 30 dos 70 homicídios dolosos contabilizados nas estatísticas oficiais até 31 de julho foram esclarecidos. Ele ressalta que entram nesta conta somente os homicídios consumados e não fazem parte da estatística os casos de latrocínio, confronto policial com legítima defesa e lesão corporal seguida de morte. "Mesmo assim, se considerarmos esses outros artigos, com certeza o número de mortes violentas se aproxima de quase cem, como mostra seu levantamento", avalia.(Colaborou Rafael Machado)


