Londrina - ''Se o desmembramento se efetivasse, [o ex-prefeito Dalton] Paranaguá já tinha uma forte candidata a capital do Norte: 'Londrina, por ser uma cidade com expressivo crescimento natural, com uma Universidade e com sua população praticamente dobrando a cada dez anos, é evidente que ocupa a posição de maior importância. É um pólo regional, não há dúvida, pois concentra um ciclo migratório constante. É, de fato, um lugar de grandes definições.''
Este trecho da biografia do ex-prefeito de Londrina, Dalton Paranaguá, escrito pelo jornalista José Antonio Pedrialli, lembra um episódio que hoje está praticamente esquecido no Norte do Paraná: o caso do Estado do Paranapanema.
De acordo com o cientista social Wilson Sanches, existe muito pouco material sobre o projeto, ''pois ficou mais em conversas da elite, não ganhou corpo para ser um movimento separatista, não chegou a ser votado.''
Segundo Sanches, as conversas para criação do Estado do Paranapanema surgiram nos anos 1950, ''pois a região não tinha contato com a capital, não sentia-se contemplada com a estrutura do Estado.'' ''Não havia ligação entre a região e Curitiba. O próprio café era levado para o porto de Santos, não Paranaguá'', conta.
Ainda sobre esse período, ''matérias e reportagens da Folha de Londrina traziam, recorrentemente, notícias ou informações que revelavam as significativas ligações comerciais e maior afinidade de Londrina e região com o estado de São Paulo'', comenta Elzio dos Reis Marson, em sua dissertação de mestrado em História na Unesp com o tema: ''Manifestações e discursos divisionistas Norte/Sul e política integracionista no Paraná (1920-1975)''.
Para o cientista social, o governador Ney Braga, ao assumir seu mandato nos anos 1960, buscou integrar o Estado por meio da construção de estradas. Mas em 1972 Paranaguá ainda reclamava, segundo reportagem da Folha de Londrina: ''Existem várias estradas que escoam a produção de nossa região. Pois bem, uma dessas rodovias...é a Estrada do Café. Seria em princípio a estrada da integração. Mas, aqui no Norte, nós a chamamos de estrada do vai, porque ela não vem.'' O ex-prefeito reclama em seguida que impostos saem da região para enriquecer o Estado, mas não retornam em investimentos equivalentes.
De acordo com Sanches, até hoje existem paranaenses das regiões Norte e Oeste que se sentem isolados da capital. ''Para amenizar esse sentimento governadores, não só de hoje, acabam viajando para despachar em diferentes cidades do Estado, a fim de passar uma ideia de integração'', aponta.(D.B)

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