Londrina pode periciar conflito em BH
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Milton DóriaA postosDarci Dória de Faria, perito-chefe da Criminalística de Londrina, exibe o fax da solicitação da Cobrapol. Para ele, o pedido é importante para divulgar o trabalho do Instituto, já que o caso adquiriu repercussão nacional A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) quer que a análise das imagens gravadas por emissoras de televisão de Belo Horizonte, no dia da manifestação de policiais militares e civis, no início da semana, seja feita pelo Instituto de Criminalística de Londrina. O objetivo da análise é identificar o autor do disparo que atingiu na cabeça o cabo Valério Santos Oliveira, 35 anos, que permanece internado em estado grave no Hospital João XXIII, de Belo Horizonte. Ainda ontem o Instituto de Criminalística de Londrina respondeu ao pedido, se colocando à disposição para produzir o trabalho.
A análise das imagens de Belo Horizonte está sendo realizada por uma equipe da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), chefiada pelo perito Fortunato Badan Palhares, a pedido do Instituto de Criminalística de Belo Horizonte. O presidente da Cobrapol, José Milton de Oliveira disse, no entanto, que considera o Instituto de Londrina o único orgão oficial - ligado à Polícia Civil - capacitado para realizar a análise com isenção.
Não temos nada contra a Unicamp. Mas fato é de extrema gravidade e não podemos correr o risco de que a realidade seja manipulada. Porque o que nós queremos é que a responsabilidade caia sobre o verdadeiro autor, e não em cima de um inocente, como sempre acontece no Brasil, apontou Oliveira. Para ele, o trabalho de Palhares já despertou polêmica e dúvidas em relação a alguns casos como, por exemplo, o laudo sobre morte de Paulo César Farias, no ano passado. Também não podemos ficar sempre presos aos laudos emitidos pelo doutor Palhares. Isso acaba sucumbindo com o trabalho da polícia técnica, destaca.
José de Oliveira explicou que a escolha de Londrina se deu em função do bom trabalho que o Instituto de Criminalística local tem feito em relação à análise de imagens de televisão. Um exemplo foi um crime em Fortaleza, no Ceará, ano passado, quando uma mãe-de-santo foi morta com dois tiros de revólver durante um ritual de candomblé. As imagens produzidas por um cinegrafista amador foram enviadas à Criminalística em Londrina que, através de diversos recursos de computação gráfica, conseguiu identificar o criminoso.
O comando da PM de Minas Gerais informou que já identificou e prendeu o autor do disparo que atingiu o cabo Valério Santos. Seria Wedson Gomes Campos, um policial militar da capital mineira, que estava à paisana e vestindo uma camisa azul listrada. As imagens da televisão mostram o PM atirando na direção de Valério durante a confusão. Já os manifestantes acusaram o coronel Edgar Eleutério Cardoso, indicado para o posto de comandante de policiamento militar e que estava atrás da vítima.
O tiro mostrado pela televisão vem de frente. Mas a entrada do projétil, pelas informações que nós temos, é que foi ou pela lateral ou pela nuca. Se for pela nuca é difícil acreditar que tenha sido o manifestante, observou Oliveira. O que nos preocupa é que, como é um movimento trabalhista, todas as formas de mascarar a verdade poderão ser levantadas.
O pedido para que a análise das imagens seja feito também pelo Instituto de Criminalística de Londrina foi encaminhado ontem mesmo, pela Cobrapol, ao delegado Otto Teixeira, que preside o inquérito sobre o confronto, para o ministro da Justiça, Iris Rezende, ao governador de Minas, Eduardo Azeredo e também ao secretário de Justiça daquele Estado. Caso a solicitação seja negada, entraremos com ação na Justiça, disse. Seria importante que houvesse no mínimo o confronto entre os dois laudos, da Unicamp e de Londrina.
O perito-chefe da Criminalística de Londrina, Darci Dória de Faria, considerou a solicitação do Cobrapol importante para divulgar o trabalho do Instituto, já que o caso adquiriu repercussão nacional. Para nós é excepcional, representa muito, diz. Ele não acredita, no entanto, que possa haver algum tipo de polêmica com colegas da Unicamp, em especial Badan Palhares, com a produção de laudos diferentes sobre o mesmo caso. O Instituto tem a finalidade de auxiliar a Justiça. E o juiz vai analisar se o laudo está certo ou não. É até bom que tenha mais de um, aponta.


