Londrina perde jornalista Délio César
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
Londrina - Ao receber da Câmara de Vereadores o título de cidadão honorário de Londrina, em dezembro de 2013, o jornalista Délio César reclamou, em tom de brincadeira, que entre tantas contribuições à cidade que lhe foram atribuídas naquela noite esqueceram de mencionar a que ele considerava a mais importante: a criação, no fim dos anos 70, do Festival Universitário, que viria a ser o precursor do Festival Internacional de Londrina (Filo).
O relapso tinha razão de ser. Délio Nunes César, capixaba de Alegre que se instalou em Londrina aos 14 anos, foi um homem de vários legados. E alguns deles foram bastante lembrados pelos familiares e amigos que compareceram ontem ao saguão da Câmara para se despedir do jornalista, ex-vereador (1969-1972) e ex-vice-prefeito (1983-1988), morto aos 75 anos no fim da madrugada em decorrência de falência de múltiplos órgãos. Um dos fundadores do Jornal de Londrina e com passagem pela FOLHA, Délio estava internado há dez dias na Santa Casa por causa de uma pneumonia.
"O maior legado do Délio é o Festival Universitário, que ele criou em 1968, no auge da ditadura. Tinha música, teatro, jogral e poesia. Ele considerava sua maior contribuição porque Londrina a partir dali despertou sua área cultural em pleno regime militar", disse o irmão caçula do jornalista, Lélio César, lembrando que anos antes Délio já havia idealizado os Jogos Universitários na cidade.
Formado em Direito, Délio César usou o jornalismo como instrumento de combate à corrupção, outra bandeira erguida por ele, segundo os amigos. "Tem uma imprensa em Londrina antes do Délio e depois do Délio. Foi ele quem criou a base de uma geração de bons jornalistas que estão aí", afirmou o amigo de seis décadas, publicitário Pedro Scucuglia.
O último bom combate travado por Délio César ocorreu nos anos 1999/2000, quando foi pioneiro ao relatar diariamente num blog na internet, com auxílio de uma equipe de jornalistas recém-saídos do forno, o passo a passo do escândalo AMA/Comurb, que culminaria na cassação do prefeito Antonio Belinati.
"Ele foi o precursor do jornalismo online em Londrina", definiu o jornalista e ex-colega de redação Ricardo da Guia Rosa. Délio César também passou pelas redações dos jornais Última Hora e Panorama (já extintos), além da Tribuna do Norte e TV Tibagi. Ele deixa esposa, três filhos e seis netos. Seu corpo será sepultado hoje, às 10h30, no Cemitério São Pedro. O prefeito Alexandre Kireeff decretou luto oficial de três dias pela morte do jornalista.


