Londrina – O volume de chuva acumulado nos primeiros 13 dias de julho, mês tradicionalmente seco no Estado, já foi o bastante para quebrar o recorde histórico do mês em muitas cidades. Com 304,6 milímetros de água acumulada até ontem, Londrina tem o julho mais chuvoso desde 1997, ano em que o Instituto Tecnológico Simepar começou a medir o índice pluviométrico. O recorde anterior havia sido registrado em 2009, quando durante todo o mês choveu 226 milímetros. As chuvas das duas últimas semanas já somam volume quatro vezes maior que a média histórica para julho na cidade, que é de 70 milímetros.
Cianorte (Noroeste), tem o maior volume de chuva acumulado neste mês. Foram 373 milímetros em 13 dias, cinco vezes e meia maior que a média histórica de julho. Na região, várias cidades foram afetadas pelos temporais do fim da semana passada. Outras cidades também têm volume acumulado bem superior à média como Apucarana (304mm/70mm), Maringá (266/60), Umuarama (303,8/75), Campo Mourão (307,4/80) e Paranavaí (238/65).
Em Foz do Iguaçu, no Oeste, o acumulado de 143 milímetros está bem acima da média histórica de 84 milímetros, mas ainda não bateu o recorde do mês, de 170 milímetros, registrado em 2004. No entanto, com toda a segunda quinzena pela frente, a previsão dos meteorologistas é que as precipitações fiquem três vezes acima da média, o que seria um novo recorde.
Com tanta chuva na região, a Itaipu Binacional teve de abrir o vertedouro da usina para controlar o reservatório e para minimizar enchentes abaixo da área da usina por conta das cheias dos rios Iguaçu e Paraná. Há alerta de inundações na região da tríplice fronteira. Nas Cataratas do Iguaçu, a vazão chegou a 4.100 metros cúbicos de água por segundo, três vezes e meia acima do volume normal, que é de 1.200 metros cúbicos por segundo. Pela manhã, a Itaipu registrou o pico do vertimento dos últimos quatros dias, com 8.532 metros cúbicos por segundo.
De acordo com a Divisão de Estudos Hidrológicos e Energéticos da binacional, há previsão de mais chuvas ao longo da semana. A maior concentração deve acontecer entre hoje e amanhã, com mais de 50 milímetros de precipitação pluviométrica. Itaipu tomou todas as medidas necessárias para avisar os órgãos responsáveis e comunicar as famílias ribeirinhas sobre possíveis inundações. As primeiras moradias do bairro paraguaio San Rafael, localizado no leito natural do rio, correm o risco de ser afetadas.
Em função das últimas previsões da meteorologia, a usina deverá manter o vertedouro aberto até o fim de semana. Antes de sexta-feira, a última vez que a usina havia aberto o vertedouro tinha sido em 23 de junho de 2014. A abertura do vertedouro é uma cena rara que encanta turistas do mundo inteiro.

EL NIÑO


O meteorologista do Simepar Paulo Barbieri explicou que as precipitações atípicas para o mês de julho no Estado podem ter influência do fenômeno El Niño, evento climático natural que aquece as águas do Oceano Pacífico e altera a distribuição de calor e umidade em várias partes do planeta. "O fenômeno tem essa característica de facilitar a circulação de ventos e trazer a umidade do Norte do País para o Sul. Junta-se a isso as frentes frias que chegam dos oceanos", disse.
De acordo com o Simepar, o dia já começa com chuva no Oeste e parte do Noroeste do Estado. Nas regiões de Maringá e Londrina, começa a chover a partir da tarde. A previsão é de 26 milímetros de chuva até sexta-feira em Londrina. O sol retorna apenas no sábado. Para Foz do Iguaçu, a previsão para hoje era de 85 milímetros, e de 125 milímetros até sábado. No domingo a chuva dará trégua na cidade.

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