Londrina garante assistência odontológica
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quinta-feira, 28 de junho de 2001
De Londrina 
Portadores de HIV em Londrina vão ter acesso gratuito a assistência odontológica. O consultório, montado há mais de um ano e equipado inclusive com aparelho de raio-X, deve entrar em funcionamento na próxima semana. Um dentista e um auxiliar da Secretaria Municipal de Saúde vão prestar o atendimento a pacientes do Centro Integrado de Doenças Infecciosas (Cidi),
que funciona no Centro de Saúde Bruno Piancastelli. Londrina tem 862 casos de Aids, 596 homens e 266 mulheres, para 12,3 mil soropositivos.
De acordo com o gerente de odontologia da Secretaria de Saúde, Domingos Alvanhan, o serviço é inédito no setor público. Para a doméstica desempregada, Maria (nome fictício), de 26 anos, a iniciativa veio em boa hora. Há mais de um ano, ela sofre com dores nos dentes, e sem condições financeiras para ser atendida em consultório particular, a única alternativa é tomar analgésicos. Sempre tenho dor de dente, dói a boca inteira, e tomo dipirona para passar a dor, disse. Ela deve ser uma das primeiras soropositivas a serem atendidas no consultório. Os interessados deverão passar por exame clínico antes do tratamento odontológico curativo e preventivo. A previsão é de seis atendimentos por dia.
Alvanhan explicou que o atendimento ao portador do vírus HIV é o mesmo que para o paciente comum, sem necessidade de cuidados especiais. O protocolo de biossegurança, com o uso de luvas e máscara, é de rotina para atender qualquer grupo da população, disse. De acordo com ele, devido a baixa imunidade causada pelo HIV, doenças que já existem na cavidade bucal acabam se agravando.
A demora em procurar um profissional, por receio de ser discriminado, também pode agravar as patologias. É o caso do publicitário José (nome fictício), de 31 anos, que depois que soube que era soropositivo não procurou mais seu dentista, com medo do preconceito. Queira ou não, todo mundo tem receio. Eu estou precisando de tratamento odontológico e iria procurar outro profissional, uma pessoa estranha, não meu dentista, afirmou. O artesão Pedro (nome fictício), de 48 anos, disse que também já foi vítima de preconceito quando morava em São Paulo. A dentista não concluiu meu tratamento e pediu que eu procurasse outro profissional, afirmou. (Chiara Papali)


