A tão noticiada técnica de células-tronco para o tratamento de doenças do coração foi utilizada em Londrina pela primeira vez. Três pacientes passaram pelo procedimento de transplante das células-tronco adultas no final do mês de maio no Hospital do Coração (HCL). Segundo o cardiologista e diretor científico do HCL, André Labrunie, com esse método, esses pacientes ganharam mais qualidade de vida e a esperança de não ter que passar por um transplante cardíaco.
Labrunie explicou que os homens, com idade entre 50 e 60 anos, eram portadores de cardiomiopatia global, doença que afeta o músculo do coração e causa cansaço extremo e muita falta de ar, inclusive para atividades corriqueiras. Segundo o cardiologista, se tivessem que passar por um transplante, primeiro enfrentariam uma fila que não contempla 10% dos que esperam, e depois uma possível rejeição do órgão.
Com as células-tronco, que podem gerar células de outros órgãos e tecidos, o esperado é que elas ajam na reconstrução das áreas lesionadas do músculo cardíaco. E o melhor, sem rejeição, já que nesse caso as células são retiradas da medula óssea do próprio paciente. ''Eles estão evoluindo muito bem, dentro daquilo que é esperado. O tempo é que vai dizer se vão precisar ou não de um transplante'', avaliou o médico.
Dois métodos foram utilizados para a implantação de células-tronco nos pacientes de Londrina - o implante celular e a infusão. No primeiro caso, as células foram implantadas com o auxílio de um catéter, através das artérias coronárias. No outro método, uma cirurgia minimamente invasiva, as células foram aplicadas através de uma injeção diretamente no coração.
Segundo Labrunie, o procedimento foi realizado através de um acordo de cooperação científica com o Hospital do Coração e Instituto de Moléstias Cardiovasculares de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.
Em junho, o Ministério da Saúde iniciou uma pesquisa em nove estados e no Distrito Federal para comprovar a eficácia da utilização de células-tronco em pacientes com doenças do coração. No Paraná, os dois primeiros procedimentos ocorreram no início do mês passado, em Curitiba. E em Londrina, onde também acontece o estudo, a fase é de seleção de pacientes para passar pelo procedimento através do Sistema Único de Saúde (SUS).
O tratamento com as células-tronco adultas é uma grande esperança também para outras doenças crônicas, como o diabetes, mal de Chagas, esclerose múltipla, e doença de Parkinson. Tanto é que se discute a utilização de células-tronco embrionárias, uso aprovado pela Lei de Biossegurança, mas vetado por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

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