Londrina entra em epidemia de dengue
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quinta-feira, 17 de março de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
A 17ª Regional de Saúde confirmou ontem a entrada de Londrina na lista de municípios em situação de epidemia de dengue. De acordo com os dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), foram registradas 8.184 notificações da doença desde agosto do ano passado, início do ciclo epidemiológico, com 1.836 casos confirmados. Destes, apenas 33 são importados. Com 1.803 casos autóctones, a incidência é de 328 casos por 100 mil habitantes. O parâmetro da Organização Mundial da Saúde (OMS) para definir quadro de epidemia é incidência de dengue a partir de 300 casos por 100 mil habitantes.
O aumento dos casos de zika vírus também é preocupante. Segundo o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, já são dez registros, sendo sete autóctones e três importados. Do total de 51 notificações, 11 foram descartadas e outras 33 seguem sob investigação. Já a chikungunya teve registro de um caso importado, em janeiro, após um moradora retornar de viagem ao Caribe. Sete casos suspeitos foram descartados.
Martin expôs que, pelo método utilizado pelo município, em que o calendário tem início em 1º de janeiro deste ano, a incidência seria de 267 casos por 100 mil habitantes, portanto, não epidêmica. No entanto, o secretário admitiu considerar o ciclo de 1º de agosto a 31 de julho, usado pelas esferas federal e estadual. "O que importa é que estamos com um número de casos de dengue muito alto. As condições climáticas favoreceram a procriação do Aedes aegypti, que hoje não se restringe a determinadas regiões, mas circula por todo o País", contou.
Sobre as ações que serão tomadas, Martin disse "não haver muito o que inventar". Segundo ele, as equipes de combate aos focos estão em campo e os trabalhos de prevenção, com ações de educação em saúde, seguem intensificados. O secretário comentou que a volta do fumacê, que está suspenso há mais de um ano por falta do inseticida malathion, deve ajudar a conter o avanço da doença. "O Ministério da Saúde conseguiu resolver o problema e já distribuiu o novo lote. No máximo até sábado começaremos a fazer a aplicação", garantiu.
Para Martin, reduzir os índices de infestação depende da conscientização dos moradores. "Falta um processo de engajamento por parte da população. Trabalhar essa questão será o nosso foco nos próximos meses", adiantou. E a estratégia que será adotada foi importada de Cingapura. Trata-se de uma tabela com o nome "Dez minutos contra a dengue". Como se fosse um calendário, o morador deverá colocar a data e assinalar 13 itens que devem ser vistoriados. "Ali tem os ícones de pontos críticos de uma casa, como os vasos de planta, a geladeira, caixa d´água. Se estiver tudo em ordem, o morador assinala o item com um X, por exemplo", explicou.
O primeiro Levantamento Rápido de Infestação do Aedes Aegypti (LIRAa) do ano, de janeiro, apontou que 8% dos imóveis da cidade apresentaram focos do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. O Ministério da Saúde preconiza que esse índice deve ficar em até 1%. A zona sul tem a pior condição, com 9,2%, seguida pelas zonas norte (8,6%), central (7,5%), leste (7,3%) e oeste (6,9%).
Contudo, o secretário lembrou que os dados de janeiro servem apenas como base e que, pelo o que indica o número de casos confirmados, o panorama pode ter mudado nos últimos meses. Em relação aos casos de dengue confirmados, as zonas oeste e norte têm as piores condições, com incidências de 489 e 305 casos por 100 mil habitantes, respectivamente. A leste aparece na sequência (172), seguida pela central (171), sul (115) e rural (61). A divulgação do novo LIRAa está prevista para o mês que vem.
A diretora da 17ª Regional de Saúde, Teresinha de Fátima Sanchez, informou que Londrina se junta a Centenário do Sul, que tem incidência de 424,33 casos por 100 mil habitantes, como os municípios que demandam maior atenção na região. "Conseguimos estabilizar o avanço da doença em Guaraci, Assaí, Jataizinho. Agora, vamos concentrar os esforços nas duas cidades", detalhou a diretora.
Ela lembrou que os casos confirmados, principalmente de zika e chikungunya, devem aumentar nas próximas semanas por conta da tecnologia Multiplex adotada pelo Laboratório Central do Estado (Lacen). "A partir de agora, os exames detectam as três doenças transmitidas pelo Aedes. Isso vai nos dar um panorama mais realista da situação em todo o Estado."
CAMPO MOURÃO
A Secretaria de Saúde de Campo Mourão (Centro-Oeste) informou ontem que dois casos importados de zika vírus foram registrados no município. As pacientes são duas mulheres, uma residente do Conjunto Cohapar (que visitou familiares em Cuiabá) e outra do centro, que pode ter adquirido a doença, em Maringá.
A enfermeira responsável pelo setor de Vigilância Epidemiológica, Edna Simão, explicou que os dois casos estavam sendo acompanhados e a Secretaria de Saúde já havia adotado os procedimentos de bloqueio. "Essas duas mulheres estão recebendo o acompanhamento necessário", garantiu.
CURITIBA
A Secretaria de Saúde de Curitiba confirmou ontem o primeiro registro de zika em gestante. O caso é autóctone e a paciente contraiu a doença no segundo trimestre de gestação. Segundo o coordenador do Programa Mãe Curitibana - Rede Cegonha, Wagner Barbosa Dias, as ecografias já feitas não apresentam nenhum sinal de comprometimento fetal. Ele informou que a paciente e a família continuarão sendo acompanhadas ao longo da gestação e após o parto.
O último informe municipal, divulgado ontem, traz 308 casos confirmados de dengue (307 importados e um autóctone), 36 episódios de zika (32 importados e quatro autóctones) e oito casos de chikungunya (todos importados). Em 2016, foram identificados no município 189 focos do mosquito transmissor.


