O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta quarta-feira (29) projeções populacionais estaduais e municipais de 2018. A pesquisa põe em evidência Maringá, Norte do Paraná. O município teve o maior aumento de habitantes do Estado.

A cidade tem hoje 417.010 moradores e ganhou mais 10.317 habitantes desde 2017. Maringá conta com uma densidade demográfica de 733.14 habitantes a cada quilômetro quadrado. O resultado é 2,4 vezes maior que a densidade de Londrina, que, apesar de contar com um número maior de residentes (563.943 pessoas) tem menos pessoas aglomeradas: 306.52 habitantes por quilômetro quadrado, pelas estimativas do IBGE.

Diferente de Maringá, Foz do Iguaçu (Oeste), perdeu residentes, em comparação com a metodologia de projeção adotada pelo IBGE no ano passado. Em 2017, Foz tinha 264.044 habitantes. Neste ano, a estimativa é de 258.823.

No ranking demográfico estadual, Londrina segue atrás de Curitiba, com 1.917.185 habitantes. Segundo o IBGE, a maior parte da população londrinense tem entre 20 e 24 anos. Fora as estimativas, no censo de 2010, a cidade possuía 506.701 habitantes.

O município foi a quarta cidade que mais cresceu em 2018: aumentou em 5.504 residentes, segundo novas projeções do IBGE. Maringá, São José dos Pinhais e Curitiba são os três municípios que mais tiveram aumento populacional.

Mas, para Leila Ervatti, esses números não refletem a dinâmica populacional dos municípios, tratando-se de apenas uma revisão das estimativas de 2017. "Na verdade esses números refletem a alteração da metodologia da projeção populacional dos Estados. Essa alteração resultou na elevação dos números em relação ao ano passado, mas não refletem a dinâmica", explica.

A metodologia a qual Ervatti se refere é a incorporação de novos dados sobre a fecundidade e registros de nascimentos, analisados de 2001 até 2016. As projeções divulgadas em 2017 estavam baseadas em dados antigos, enquanto as de 2018 foram calculadas a partir de projeções de julho deste ano.

Imagem ilustrativa da imagem Londrina é a quarta cidade em crescimento populacional



BRASIL

Segundo o Instituto, houve um ligeiro aumento da população brasileira: 208.494.900 milhões de brasileiros em 2018, com uma taxa de crescimento populacional de 0,4% desde o ano passado.

As projeções foram atualizadas em relação às estimativas de 2017, todavia, o último censo foi realizado há oito anos e apontou 190.755.799 pessoas no Brasil. Em 2015, o País tinha uma taxa de fecundidade - número de filhos por mulher - de 1,72.

Embora o Brasil continue crescendo, a tendência é de que esse aumento populacional seja cada vez menor e caminhe para uma estabilidade, em razão dessa taxa. É o que explica a demógrafa do IBGE, Leila Ervatti. "A taxa de crescimento vem reduzindo [ao longo dos anos]. Mas só no final de 2040 deveremos ter um crescimento vegetativo negativo."

Pelas estimativas do Instituto, a população brasileira cresceu, desde 2001, quase 18%. Mas nos últimos anos, o aumento não tem sido tão evidente. De 2015 para 2016, a população teria aumentado, segundo as projeções, 0,80%. De 2016 para 2017, 0,77% e do ano passado para este ano, 0,40%.

Para a demógrafa, o Brasil cresceu porque a taxa de natalidade segue sendo superior à de mortalidade. Mas, há tempos estudiosos alertam de que esse crescimento será revertido. O principal motivo, para Ervatti, é a redução do número de filhos por mulher, já que os índices de mortalidade são baixos e não afetam a população em termos de volume.

"Também não temos migrações significantes", afirma a pesquisadora, referindo-se às projeções para o País. "Mas a nível estadual, como de Roraima é importante, sim". As novas estimativas consideram os imigrantes venezuelanos em Roraima. Segundo o IBGE, Boa Vista e Pacaraima concentram 99% dos imigrantes. O estado é o menos populoso do País com 576.6 mil habitantes.

O estudo constatou que 17 cidades brasileiras têm população superior a um milhão de pessoas. Ou seja, só esses municípios abrangem 21,9% de todos os habitantes do Brasil. Se consideradas as 28 regiões metropolitanas do País, a população é maior do que um milhão, o equivalente a 47,3% de todos brasileiros.

Essa concentração em grandes cidades - majoritariamente capitais - se dá pelo maior número de serviços, conforme Ervatti. "Maior oferta de serviços e trabalho, há uma concentração econômica nas maiores cidades. Isso é uma distribuição normal quando não há investimento em cidades interioranas", considerou. De acordo com a especialista, a maior densidade de pessoas nos centros urbanos pode provocar mais desigualdade. Pelo IBGE, 23,8% da população brasileira vive nas capitais.

Ainda segundo a projeção, 21,8% dos brasileiros vivem no estado mais populoso do País, São Paulo, cuja capital tem 12,2 milhões de habitantes. A atualização coloca Serra da Saudade (MG) como a menor cidade do País: 786 habitantes. O segundo município menos populoso é Borá (SP) - com 836 - e o terceiro, Araguainha (MT), com 956.

As estimativas demográficas feitas pelo IBGE são importantes para os municípios porque fazem referência ao FPM (Fundo de Participação de Estados e Municípios). É por meio dele que a União repassa recursos às cidades.

MAIS IDOSOS

A desaceleração do crescimento da população brasileira também se relaciona com o envelhecimento populacional. Isso porque, segundo progressão do IBGE, o País deve ter 32% de sua população com idade superior a 60 anos até 2060. Nos últimos cinco anos, o número de idosos já cresceu 18%.

Mais idosos e menos crianças é uma tendência apontada pelos especialistas em boa parte dos países desenvolvidos. No Brasil, a expectativa de vida hoje é de 76,2 anos.

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