Londrina deve ter nova unidade de regime semiaberto
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - Londrina deve ganhar ainda neste ano um novo presídio semiaberto. A unidade deve funcionar ao lado do Centro de Reintegração Social (Creslon), que funciona no antigo prédio do 2º Distrito Policial (Zona Leste). A doação do terreno está sendo discutida com a prefeitura.
A nova unidade vai seguir as diretrizes da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) e outros convênios adotados com entidades civis de direito privado sem fins lucrativos. O conceito traça um novo modelo de gestão social voltada para valorização humana.
O detento, pertencente a um grupo considerado de menor risco, cumpre ritos diários que contemplem escolarização, profissionalização, trabalho, integração social, religião, assistência e voluntariado. A coordenação da unidade é feita pelos próprios detentos e não existe guarda armada na unidade e tão pouco vigilância externa.
Pode parecer estranho, mas o índice de recuperação nas Apacs chega a 91%. O do governo, 15%. O custo de um preso para o Estado é de quatro salários mínimos por mês. Na Apac não chega a dois.
''A Apac não vem resolver todos os problemas, não é uma solução, é uma alternativa que pretende fazer um trabalho diferenciado com o preso. Para aqueles que querem oportunidade, vamos proporcionar um ambiente agradável, respeitoso, vamos reciclar valores, descobrir as potencialidades de cada um'', explicou o coordenador da associação Fraternidade Brasileira de Assistência ao Condenado (Febrac), Valdecir Ferreira.
O modelo é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e existe em 112 países. No Brasil, a metodologia foi difundida em Minas Gerais e já existe em vários Estados. A primeira unidade paranaense começa a funcionar mês que vem em Barracão (Sudoeste). Outras devem ser abertas em Ponta Grossa, Loanda, Lapa e Londrina.
''É uma das grandes defasagens de vagas que temos hoje no Estado, o deficit chega a mais de 1,6 mil vagas. Entendemos que para esse regime semiaberto é importante não apenas a intervenção do Estado, mas também a ação direta da comunidade, porque em pouco tempo eles (presos) estão voltando para a sociedade. É muito melhor que a pessoa encarcerada passe por um regime intermediário de adaptação para depois obter a liberdade, do que sair do regime fechado e no dia seguinte ficar em absoluta liberdade'', afirmou a secretária de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes.
A audiência pública contou com a participação de representantes de diversos órgãos da sociedade civil organizada. Membros do Conselho Estadual dos Direitos Humanos reclamaram que faltou publicidade ao evento.
''Esse é o sonho da Pastoral. Foram mais de 20 anos de luta e nesse período muitas conversas, mas sempre esbarravam na falta de vontade política das autoridades'', disse o assessor da Pastoral Carcerária, padre Edivan Pedro dos Santos.
Uma lei estadual estabelece as formas e atribuições na execução da pena. Uma comissão será formada por membros da sociedade londrinense para discutir a implantação da Apac de Londrina. ''Acredito que em dois meses tenhamos nossa unidade'', disse a juíza da Vara de Execuções Penais, Márcia Guimarães.


