Instituições de Londrina criaram ontem a Associação Londrinense de Proteção à Infância e Adolescência (Alpia), que tem o objetivo de combater a violência contra os menores. Também chamada de ‘‘Anjos da Guarda das Crianças’’, a associação reúne hospitais, Conselho Tutelar, Promotoria da Infância e Juventude, Universidade Estadual de Londrina (UEL) e outras entidades da área. O lançamento oficial da Alpia foi ontem à noite no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Segundo o pediatra Jonilson Favareto, um dos coordenadores, a proposta é criar um banco de dados sobre os menores vítimas de violência. ‘‘Percebemos que Londrina estava desguarnecida de qualquer estrutura para a criança vítima de violência. Queremos criar um atendimento digno e um trabalho de prevenção’’, disse.
Números divulgados ontem à noite revelam que dos 3 mil laudos emitidos em 99 pelo Instituto Médico-Legal de Londrina (IML), 593 (19%) se referem a crianças e adolescentes. Do total, foram 346 casos de lesões corporais e 113 registros de conjunção carnal (estupro). Já o Conselho Tutelar atendeu no ano passado 234 casos de agressão e 211 por maus tratos. ‘‘Em 52% dos casos os agressores são os próprios pais’’, disse Favareto.
Para Vera Lúcia Tieko Suguihiro, do Departamento de Serviço Social da UEL, os dados atuais são incompletos e não mostram a realidade. ‘‘Não adianta pensarmos em ações e programas se trabalharmos com dados fragmentados’’, afirmou. A proposta é obter os dados em tempo real junto aos hospitais e o Pronto-Atendimento Infantil (PAI). Com isso uma criança vítima de violência poderá ser identificada quando o agressor levá-la a outra unidade de saúde. Numa segunda etapa, o banco de dados será estendido aos postos de saúde. (Lino Ramos, de Londrina)