A Secretaria de Saúde de Londrina registrou a primeira morte por dengue este ano na cidade. Trata-se de um homem de 60 anos, morador do Conjunto Armindo Guazzi (Zona Leste), que desenvolveu a forma hemorrágica da doença. Segundo o secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian, a vítima morreu no dia quatro deste mês, mas a confirmação laboratorial ocorreu apenas no dia 13. Posteriormente, um comitê de investigação composto por membros da Secretaria de Saúde e 17 Regional de Saúde confirmou o diagnóstico. ''Lamentamos profundamente, mas esta morte era evitável. Trata-se de descaso sobre descaso. O homem morava sozinho, não procurou assistência médica, usava álcool, levava uma vida desregrada. Foram encontrados vários focos de dengue no quintal'', afirmou.
A autônoma Rafaela Rodrigues Silva disse que ela e o marido cuidaram da vítima, no último mês, e perceberam que ele não estava bem. ''Ele morava sozinho nesta edícula nos fundos do supermercado e pediu para ficarmos com ele porque acho que estava com medo de passar mal. Ficamos uns dias sem vir e quando voltamos ele estava com febre muito alta, convulsionando, a boca sangrava, apresentava manchas vermelhas pelo corpo e dificuldade respiratória. Chamamos o Samu que o encaminhou para a Santa Casa. Horas depois ele morreu. Tinha muito entulho aqui. Infelizmente tivemos que perder alguém querido para pensar em intensificar os cuidados com a doença'', lamentou Rafaela. Logo que diagnosticado o caso, a Secretaria de Saúde fez o bloqueio da região com a aplicação do fumacê, que elimina o mosquito Aedes aegypti.
A última morte por dengue em Londrina ocorreu em 2003, quando a cidade registrou uma epidemia. Foram oito mil casos e duas mortes por dengue hemorrágica. De acordo com Der Bedrossian, a cidade corre novamente o risco de epidemia. ''Somente nos dois primeiros meses do ano foram 44 casos e outros 700 estão sendo investigados. Em 2009 foram 109 casos; 2008, 155. A situação é imprevisível. Pode ser que amanhã este número salte para 400. Ribeirão Preto, que é do porte de Londrina, registra um novo caso de dengue a cada hora. Maringá já confirmou mais de 100 casos. Primeiro de Maio, uma cidade de 11 mil habitantes, já tem 30'', exemplificou. Dos 44 casos, 15 são importados.
De acordo com Der Bedrossian, o combate aos focos do mosquito será reforçado com fumacê, mutirões de limpeza e visitas dos agentes de saúde às casas para orientar a população sobre a eliminação de focos do mosquito. A Secretaria também está multando quem não colabora com a eliminação dos focos. ''A dengue mata. O cuidado da população deve ser constante e permanente, eliminando água parada em pneus, garrafas, baldes, vasos de planta e reservatórios sem tampa'', orientou.

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