Belfast, 11 (AE-AP) - A Grã-Bretanha suspendeu nesta sexta-feira (11) o governo autônomo da Irlanda do Norte (integrado por protestantes e católicos), chefiado pelo líder protestante David Trimble.
Mas poucas horas depois, os governos de Grã-Bretanha e Irlanda anunciaram em conjunto que o Exército Republicano Irlandês (IRA, pela sigla em inglês) amenizou sua posição durante as conversações com a comissão de desarmamento, questão que ameaçava a sobrevivência do gabinete.
Ambos consideram o movimento como "um desdobramento de real significância" que pode fazer com que o poder retorne a Belfast.
O secretário britânico para a Irlanda do Norte, Peter Mandelson, retomou o controle britânico apenas 72 dias depois da coalizão de quatro partidos, que seria a pedra fundamental do acordo de paz assinado para a província em 1998, receber poderes substanciais.
Mandelson argumentou que a mudança de rumo foi "profundamente desapontadora" e seria necessário evitar a queda do gabinete devido à recusa ilegal do IRA em se desarmar, uma condição protestante para a formação governo norte-irlandês.
Mas poucas horas depois, os governos de Grã-Bretanha e Irlanda anunciaram a posição flexível durante as discussões secretas da semana passada com a comissão independente de desarmamento, cujo trabalho é crucial para superar a recente crise.
Os governos publicaram um novo relatório no qual a comissão informa que a mais recente posição do IRA "sustenta a real possibilidade de um acordo".
O documento informa que o representante do Exército Republicano Irlandês na comissão "nos indicou o contexto no qual o IRA iniciará um processo compreensivo para se desarmar, em uma maneira de conquistar a máxima confiança do público".
Esta esperançosa reviravolta dos fatos veio após um furioso apelo de última hora de Mandelson a Gerry Adams, líder do Sinn Fein, braço político do IRA, para não ter os poderes suspensos porque o grupo armado ofereceu apenas "uma nova e significante proposta para resolver a questão das armas".

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