São Paulo, 23 (AE) - As quase 24 mil lombadas da capital paulista, usadas para prevenir atropelamentos e acidentes, têm deixado os motoristas mais expostos a roubos. Projetadas para obrigar os condutores a reduzir a velocidade de seus veículos para cerca de 20 quilômetros por hora, elas acabam facilitando a abordagem dos ladrões.
Foi assim que a professora Lourdes Aparecida Falcone, de 47 anos, foi morta em 28 de abril. Naquele dia, ela passava com seu carro pela Avenida Doutor Francisco de Paula Vicente de Azevedo, no Parque Continental, na zona oeste, quando reduziu a velocidade para passar por obstáculos. Foi o suficiente para três ladrões a abordarem.
Assustada, ela tentou fugir e foi atingida por um disparo feito por um dos bandidos. Moradores da região, indignados, retiraram, nas semanas seguintes, as três lombadas da via. "Serviam para roubos, assaltos e estupros", disse o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) da região, Pedro Barrico, de 47 anos.
Os quebra-molas dali tinham sido construídos cerca de dez anos atrás pelo próprios moradores. Em São Paulo, de acordo com estimativas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), existem cerca de 6 mil lombadas assim. Sem obedecer a qualquer critério técnico, elas aumentam o risco dos motoristas, que quase têm de parar o carro para superá-las. De acordo com moradores, era o que ocorria na via onde a professora foi morta.
Pelo Código de Trânsito Brasileiro, esse tipo de obstáculo deveria ser retirado. O presidente da CET, Nelson Maluf El-Hage, disse que a companhia tem feito levantamentos para isso, mas que é preciso a colaboração da população. "Só podemos ficar sabendo da existência delas se as pessoas passarem por elas e avisarem."
As lombadas regulares, entretanto, também têm exigido atenção por parte dos condutores. O vendedor Silvio de Carvalho, de 28 anos, disse ter escapado de um assalto na Rua Cancioneiro Popular há quatro meses por estar atento. Ele seguia de moto pela via e percebeu, pelo retrovisor, ao reduzir a velocidade para passar por uma lombada regular - bem sinalizada e projetada -, que dois homens o seguiam em outra moto e sacaram armas. Ele acelerou e fugiu. "Ocorre sempre."
De acordo com o delegado Manoel Camassa, da 1.ª Delegacia de Furtos e Roubos de Carro, qualquer redutor de velocidade auxilia a ação dos ladrões. "A lombada propicia a abordagem para assaltos." El-Hage argumentou que não se pode confundir os problemas de trânsito com os de segurança pública. "Se continuar nessa toada vamos ter de tirar os semáforos."

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