Lojistas do Mercadão de Madureira se reúnem com Dornelles amanhã
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Clarissa Thomé 
Rio, 17 (AE) - Retroescavadeiras começaram a demolir hoje o que restou do Mercadão de Madureira, na zona norte do Rio
destruído por um incêndio no fim de semana, que durou 14 horas e deixou pelo menos oito mil desempregados. O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, se reúne amanhã (18) com os lojistas para propor o cancelamento dos contratos de trabalho dos funcionários, que receberiam salário-desemprego por quatro meses e seriam readmitidos no fim desse prazo. "Só temos o dinheiro que dormiu na carteira e não teríamos como pagar indenizações", afimou o síndico do Mercadão, Renildo Miranda.
Hoje o governador Anthony Garotinho informou que vai destinar R$ 3,5 milhões para a recuperação do Mercadão, mas defende a desapropriação do terreno. O prefeito Luiz Paulo Conde havia prometido, no domingo, fazer a reconstrução em quatro ou cinco meses, mas sem falar em desapropriação. Para resolver a questão, uma reunião entre lojistas e prefeito estava marcada para o início da noite de hoje.
Os comerciantes ainda não conseguiram calcular os prejuízos e fizeram estimativas vagas sobre o número de desempregados - entre 8 mil e 28 mil, incluindo empregos indiretos -, numa reunião tensa e confusa."Ficou acertado que nada está acertado", resumiu o advogado da administração, Evaristo Soldaini.
No encontro com Conde, os lojistas pediriam isenção de impostos, linha de crédito - cerca de 80% dos comerciantes não têm seguro contra incêndio e perderam todo o estoque -, além de autorização para montar barracas no estacionamento do Mercadão. "Precisamos sobreviver, enquanto as obras não forem concluídas", disse Renildo Miranda.
A promessa do prefeito de reconstruir o Mercadão revoltou moradores dos prédios vizinhos ao Mercadão, atingidos pelo fogo. "É uma injustiça: eu pago meus impostos e não vou ser indenizada, mas esses lojistas, muitos deles inadimplentes, serão ressarcidos", queixou-se a comerciante Flávia da Cruz Leite, de 23 anos. Grávida de três meses, ela e o marido gastaram R$ 15 mil para reformar o apartamento 206 do edifício 245 da Avenida Ministro Edgard Romero.
Um pedaço da laje do Mercadão desabou sobre o pilar do edifício, abalando as estruturas, e o fogo, que destruiu o andar térreo, provocou rachaduras e fez ceder o piso do apartamento 206. Flávia vai processar a prefeitura e o Estado. Outros três edifícios e 15 casas ao redor do mercadão foram interditadas pela Defesa Civil e centenas de famílias estão desabrigadas.


