Lojistas de shoppings planejam demitir 10% se crise persistir
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 09 (AE) - Lojistas de shopping centers estão dispostos a demitir 10% dos empregados até meados do mês que vem
se as vendas continuarem em queda e se persistirem os juros elevados. O setor de shoppings emprega hoje diretamente 454 mil trabalhadores em todo o País. Esse número é quatro vezes maior que o efetivo total da indústria automobilística.
A informação foi dada hoje pelo presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Abralshop), Nabil Sahyoun. Ele contou que os donos de 25 grandes redes de lojas localizadas em shoppings deverão se reunir nesta quarta-feira na sede da entidade, em São Paulo, para avaliar a situação. O objetivo é encontrar as saídas enfrentar a crise e uma delas é o corte de pessoal.
Os empresários pretedem redigir um documento com sugestões e mostrando os efeitos da alta dos juros na queda da arrecadação. A intenção é encaminhar o documento para os ministérios do Trabalho e da Indústria e Comércio.
Sahyoun conta que a Camisaria Colombo, com cerca de 800 funcionários, registrou queda de 20% no faturamento em janeiro em relação a igual período de 1998. A empresa, como muitas outras já informou, segundo ele, que não tem alternativa a não ser iniciar as demissões e fechar pontos-de venda.
O presidente da Abralshop explica que, com a queda nas vendas, muitos lojistas não estão conseguindo cobrir as despesas fixas com aluguéis. É que, quando os negócios vão bem, os lojistas têm de pagar o aluguel fixo e um porcentual sobre as vendas adicionais. Quando as vendas estão em baixa, os lojistas têm de pagar o aluguel fixo, sem qualquer abatimento.
Desde o início do ano, as lojas de shopping registram queda de 10% nas vendas em relação a igual período de 1998. Por conta da queda nas vendas e dos juros altos, que tornam os financiamentos proibitivos, a inadimplência do consumidor caiu 5%. "O cosumidor assumiu uma atitude cautelosa quanto aos financiamentos", disse Sahyoun.
Mas ele ressalvou que a expectativa para os próximos meses não é otimista. É que o consumidor em dezembro comprou boa parcela de mercadorias a prazo e, a partir de agora, estará com parte da renda comprometida com possibildade de volta da inflação e aumento dos gastos com as prestações de leasing atreladas ao dólar.
Cancelamento - A retração de vendas poderá resultar, segundo Sahyoun, no cancelamento, por parte de lojistas, da compra de pontos-de-venda nos shoppings que ainda não foram inaugurados. Até meados do ano que vem, 131 novos shoppings serão inaugurados no País. Esses novos empreendimento poderão criar 156 mil empregos diretos.


