São Paulo, 15 (AE) - Lojas de eletrodomésticos, de aparelhos de telefone celular e até construtoras estão recorrendo ao escambo (troca de um bem por outro) para ampliar as vendas de Natal. Companhias aceitam o eletrodoméstico usado como parte do pagamento, assim como um imóvel de segunda mão. A intenção é conquistar o consumidor num mercado extremamente competitivo neste fim de ano.
A Casas Bahia, por exemplo, ampliou em 30% as vendas desde que adotou essa estratégia há cerca de um mês, diz o diretor da rede, Michael Klein. Ele explica que procurou seguir o exemplo do setor automobilístico, em que há renovação da frota de automóveis aceitando-se o veículo usado como parte do pagamento.
A empresa paga R$ 45 por um fogão usado, R$ 80 pela geladeira e R$ 85 pela máquina de lavar, não importa o estado de conservação do eletrodoméstico. O compromisso do cliente é comprar a mercadoria preestabelecida, isto é, um deteminado modelo de lavadora, fogão ou geladeira. Segundo ele, a rede, no passado, adotou essa mesma estratégia para os televisores.
Klein explica que a mercadoria pode ser retirada ou não da casa do cliente. Em caso positivo, o eletrodoméstico usado é levado para o depósito da empresa e revendido para companhias especializadas em conserto - que aproveitam as peças - ou doado para instituições de caridade. O resultado da venda do produto usado não chega à metade do desconto oferecido ao cliente por entrar com o eletrodoméstico velho como parte do pagamento, diz Klein.
Celulares - Com o avanço tecnológico das indústrias da área de telefonia celular, alguns modelos de aparelhos telefônicos ficaram obsoletos rapidamente. Aproveitando essa oportunidade, muitas empresas que vendem celulares estão aceitando aparelhos usados como parte do pagamento na troca por um novo modelo ou na mudança de sistema, do analógico para o digital.
A Betel, há mais de 15 anos no mercado de telefonia, é uma dessas empresas que trabalham com o sistema de trocas. Segundo a vendedora Claudia Morgado, os aparelhos usados são aceitos como parte do pagamento. O valor pago pelo equipamento usado oscila entre R$ 40 e R$ 100, de acordo com o estado de conservação.
Claudia explica que todos os aparelhos passam por revisão e, em geral, são enviados para outros Estados ou regiões
como o Nordeste do País e o interior de São Paulo, onde as operadoras de telefonia celular estão realizando campanhas de incentivo às vendas, oferecendo equipamentos mais em conta.
Nessas localidades, os telefones recondicionados são revendidos a preços entre R$ 120 e R$ 200, de acordo com o modelo. "Caso contrário, as peças são encaminhadas para serem sucatadas por empresas de assistência técnica", diz Claudia.
Imóveis - A troca de um imóvel usado por um novo foi a opção escolhida pelo casal Loren e Armando de Castro para comprar uma das últimas unidades prontas, de 140 metros quadrados, no Quintas do Morumbi, zona sul, da Líder.
Com o nascimento do filho João Vitor, o administrador de empresas e a analista de sistemas queriam um apartamento maior. "Já morávamos no Morumbi, gostávamos da infra-estrutura do Quintas, mas achávamos que o empreendimento estava fora de nosso alcance", conta Castro. Alertado por uma amiga corretora de imóveis sobre o sistema Troque as Chaves, o casal decidiu fazer negócio. Segundo Castro, a facilidade foi fundamental para que tomassem a decisão. "Se eu tivesse de vender meu imóvel no mercado, teria perdido tempo e a oportunidade de comprar a unidade que desejávamos."

mockup