Lojas Americanas inauguram mais quatro pontos até o fim do ano
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 29 (AE) - Depois de vender sua rede de supermercados e fechar lojas, as Lojas Americanas preparam-se para inaugurar mais quatro pontos de venda e mais um centro de abastecimento de sua rede, até o fim do ano. Apesar destes investimentos, a direção da empresa prevê que neste ano o faturamento será igual ao de 1998, de R$ 1,5 bilhão.
O primeiro novo estabelecimento vai ser inaugurado amanhã, no Rio de Janeiro, em um ponto tradicional do centro: a antiga Mesbla da Rua do Passeio, que funciona em um prédio de 70 anos, ao lado da Cinelândia. Outros dois prédios tradicionais vão abrigar duas das três próximas novas lojas: o Shopping Light
no Centro da Capital, e o antigo prédio da Sears, na Praia de Botafogo, na Zona Sul do Rio. O quarto ponto de venda será aberto em Aracaju (SE).
O investimento nas lojas chegou a R$ 13 milhões, informou o diretor de Expansão da companhia, Eduardo Chalita, em coletiva da direção da empresa para anunciar os novos projetos. O novo centro de abastecimento em Austin, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, consumiu R$ 25 milhões. Outro centro de abastecimento, em Recife (PE), absorveu R$ 8 milhões neste ano. Chalita afirmou que no próximo ano uma nova loja pode ser aberta em São Paulo, e é negociada a abertura de outras três no Rio de Janeiro.
Empate - O diretor de Logística das Lojas Americanas, Miguel Gutierrez, afirmou que a rede deve faturar no segundo semestre 15% a mais do que o resultado apurado no mesmo período do ano passado. Esse desempenho, no entanto, vai servir somente para "empatar" com o de 1998, lembrou o diretor comercial da rede, Osmair Luminatti. A queda de faturamento no primeiro semestre deste ano, na comparação com os primeiros seis meses de 98, também foi de 15%.
Gutierrez lembrou que a empresa acumulou até o terceiro trimestre um lucro de R$ 75 milhões graças, em grande parte, ao resultado de operações financeiras do grupo. Na época do Natal, a previsão da rede é de aumento entre 15% e 20% das vendas. "É um número agressivo, se lembrarmos como estão os concorrentes", afirmou o diretor de Logística.
Para o crescimento das vendas, a rede vai procurar evitar aumentos. "Nossa proposta é manter os preços de 1998, ou
se possível, reduzi-los", afirmou Gutierrez. A exceção serão os produtos importados, que devem aumentar em média 5%, segundo Luminatti. Ele contou que o aumento, que poderia ter sido maior em vista da alta do dólar, foi reprimido com renegociação e corte de detalhes desnecessários de produtos, como embalagens, que encareciam o preço. "Fomos cortando centavos", contou o diretor comercial.
Economia - O diretor de Logística calcula que com a distribuição feita a partir de centros de abastecimento, será possível economizar entre R$ 35 milhões a R$ 40 milhões por ano. O fim dos estoques em cada loja também permite que se abram novos pontos, em locais menores do que os escolhidos antigamente
lembrou.
Segundo os diretores das Lojas Americanas, os investimentos são uma demonstração de que a controladora da companhia, a GP Participações, de Jorge Paulo Lemman, não prepara a venda de suas ações. "Se fosse para vender, dificilmente a empresa teria esse nível de investimento, de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões este ano", afirmou Chalita.
Ele afirmou que o índice de inadimplência da rede chega a 1,7% do volume de vendas. Os diretores da empresa explicaram que após a experiência de promoções com cheques pré-datados terem aumentado o nível de inadimplência, há cerca de quatro anos, a rede preferiu trabalhar mais com o pagamento à vista e conseguiu reduzir este nível para índices abaixo da média do comércio varejista.


