Lucinéia Parra
De Maringá
Na disputa pelos clientes, várias lojas de Maringá estão contratando um profissional que até pouco tempo não existia no comércio local: o locutor de ofertas. Eles ficam nas calçadas e usam de vários artifícios para atrair principalmente os consumidores mais distraídos. De microfone na mão, anunciam as ofertas mais interessantes e se mesmo assim os consumidores não ‘‘der ouvidos’’, eles sobem em escadas para exibir as mercadorias, batem palmas e até criam rimas para chamar a atenção até de quem passa do outro lado da rua.
‘‘Tem gente que não gosta do nosso trabalho e já ouvi até algumas pessoas dizendo que não gostam de passar nesta calçada porque parece o Paraguai’’, disse o locutor Claudio Domingos Ramos, 29 anos. Ele é o pioneiro neste tipo de atividade em Maringá e confessa que no começo sentia um pouco de vergonha.
‘‘Às vezes encontrava algum amigo que me perguntava o que eu estava fazendo igual a um bobo batendo palma no meio da calçada’’, relembra Ramos. Ele diz que realmente se sentia envergonhado de anunciar as ofertas da loja no meio da calçada, mas com o tempo foi perdendo a timidez e hoje se sente privilegiado. ‘‘Depois de mim, muitas outras pessoas começaram a fazer o mesmo serviço. Eles me imitam e eu acho isso legal’’.
Ramos concluiu o 2º grau e foi motorista de caminhão antes de iniciar a carreira de locutor. ‘‘Antes eu trabalhava muito e nunca tinha nada. Agora pelo menos eu consigo sustentar a minha família e é o único emprego que arrumei que ganho dinheiro’’, revelou.
O microfone é um recurso que ele começou a usar há dois anos. Antes, há quatro anos, ele fazia a propaganda da loja de forma mais teatral. No meio da calçada, batia palmas e convidava os clientes a entrarem na loja para conferir as ofertas. Agora ele continua anunciando os produtos e quando só o som do microfone não consegue ‘‘sensibilizar’’ os consumidores, apela para outras investidas. ‘‘Tem vezes pego uma escada e lá de cima fico mostrando as roupas que estão em oferta’’.
A locução na calçada traz resultados satisfatórios. Um levantamento feito pela loja em que Ramos trabalha constatou que 70% dos clientes entram no estabelecimento porque ouvem os anúncios das ofertas quando passam na calçada. ‘‘Tem gente que está do outro lado da avenida, ouve as ofertas e vem para conferir’’, disse Ramos.
Além de locutor, Ramos é também o segurança da loja, localizada na esquina da Avenida Brasil com a Praça Raposo Tavares. Ele acredita que caminha, de um lado para o outro, cerca de 10 quilômetros por dia durante o trabalho. ‘‘Só paro para almoçar’’.
Outro locutor que chama a atenção dos consumidores é Ricardo Alves de Almeida, 22 anos. Ele foi contratado para repositor de mercadorias, mas aos poucos foi para a calçada anunciar as ofertas da loja. Excepcionalmente ele vai faz o serviço de repositor.
De jeito simples, Ricardo admite que tinha muita vergonha de falar em público. ‘‘Agora já peguei o jeito e adoro o que faço’’, revela. O dono da loja, Jackson Luiz Calderele, diz que o trabalho do locutor é fundamental porque muitas vezes as pessoas passam distraídas na frente da loja e só entram depois de ouvir as ofertas.

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